Justiça mantém prisão de Vorcaro e do cunhado; custódia será em presídio de SP

Atualizado em 4 de março de 2026 às 18:23
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação

A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após audiência de custódia realizada na capital paulista. A decisão também determinou que o empresário seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual.

O cunhado dele, Fabiano Zettel, teve a mesma determinação judicial. Ambos foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.

As prisões ocorreram durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, a operação apura a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A investigação também mira um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras. Após a audiência de custódia, Vorcaro e Zettel deixaram o prédio da Justiça Federal em viatura descaracterizada.

O deslocamento contou com três veículos e foi realizado por uma entrada lateral do edifício. Diferentemente do que ocorreu após a prisão, os investigados não retornaram à Superintendência Regional da Polícia Federal e seguiram diretamente para o sistema prisional.

Durante o transporte até o CDP de Guarulhos, os dois foram levados no compartimento traseiro de uma SUV da Polícia Federal. No banco traseiro do veículo havia apenas um agente e uma mala. Segundo a corporação, o compartimento utilizado é adaptado para esse tipo de transporte, com assentos e cintos de segurança.

Viatura da Polícia Federal. Foto: Divulgação

A Polícia Federal informou ainda que o procedimento segue protocolo padrão da instituição e não foi resultado de pedido dos detidos para evitar exposição pública. De acordo com os agentes, esse tipo de viatura é adquirido já com estrutura adequada para condução de presos em operações policiais.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.

Os advogados também negaram “categoricamente as alegações atribuídas” ao banqueiro e disseram confiar “que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”. A assessoria do empresário também divulgou manifestação de Vorcaro sobre as acusações relacionadas a ameaças contra jornalistas.

Segundo ele, “sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas. Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência.”

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu a relatoria do caso no mês passado. De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master e possíveis falhas nos mecanismos de controle interno das instituições envolvidas.

Além de Vorcaro e Zettel, também foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A Justiça também determinou bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de preservar recursos possivelmente ligados às práticas investigadas.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.