Justiça prepara ofensiva contra campanha para demitir petistas

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 16:35
O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, participará de uma coletiva nesta quarta (28), no Ministério do Trabalho e Emprego, para tratar de ameaças de demissão e perseguição política contra trabalhadores que votaram no presidente Lula (PT). A informação é do ICL Notícias.

Entre as medidas em discussão estão forças-tarefa para apurar denúncias, responsabilizar envolvidos e buscar a reintegração de pessoas dispensadas por motivação política. O governo e o TST também avaliam impedir empresas que adotem práticas discriminatórias de participar de licitações públicas.

As denúncias aumentaram após o segundo turno das eleições, vencido por Lula contra Flávio Bolsonaro (PL).

Parlamentares, empresários e influenciadores bolsonaristas passaram a defender publicamente a demissão de trabalhadores petistas e o boicote a profissionais e estabelecimentos ligados a eleitores do presidente reeleito.

Empresários e parlamentares divulgaram apelos por demissões

O empresário Thiago Corrêa Bastos, ligado ao estúdio musical Comemorarte BH, publicou nos stories do Instagram, na terça (27), uma mensagem que defendia o rompimento de relações profissionais com apoiadores do PT: “Demita os petistas da sua vida e dos seus negócios”.

Foto: Reprodução

O influenciador Rapha Hanzol também disse em vídeo que demitiria sua melhor funcionária por falta de alinhamento com os valores da empresa.

No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) pare de incentivar discriminação, perseguição ou demissão de trabalhadores por convicções políticas. A decisão, obtida pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro, ordenou a remoção das publicações e fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

Ela havia sugerido que empresários verificassem as redes sociais de funcionários para identificar eleitores de Lula.

No Paraná, a vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), escreveu: “Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!”.

No Rio Grande do Sul, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa encaminhou ao Ministério Público estadual um pedido de investigação prioritária sobre ameaças de demissão, perseguição política e listas de boicote.

A Lei nº 9.029/1995 prevê reintegração ou indenização para vítimas de dispensa discriminatória, enquanto empresas podem responder a investigações e ações por danos morais coletivos.

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