
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, participará de uma coletiva nesta quarta (28), no Ministério do Trabalho e Emprego, para tratar de ameaças de demissão e perseguição política contra trabalhadores que votaram no presidente Lula (PT). A informação é do ICL Notícias.
Entre as medidas em discussão estão forças-tarefa para apurar denúncias, responsabilizar envolvidos e buscar a reintegração de pessoas dispensadas por motivação política. O governo e o TST também avaliam impedir empresas que adotem práticas discriminatórias de participar de licitações públicas.
As denúncias aumentaram após o segundo turno das eleições, vencido por Lula contra Flávio Bolsonaro (PL).
Parlamentares, empresários e influenciadores bolsonaristas passaram a defender publicamente a demissão de trabalhadores petistas e o boicote a profissionais e estabelecimentos ligados a eleitores do presidente reeleito.
Empresários e parlamentares divulgaram apelos por demissões
O empresário Thiago Corrêa Bastos, ligado ao estúdio musical Comemorarte BH, publicou nos stories do Instagram, na terça (27), uma mensagem que defendia o rompimento de relações profissionais com apoiadores do PT: “Demita os petistas da sua vida e dos seus negócios”.

O influenciador Rapha Hanzol também disse em vídeo que demitiria sua melhor funcionária por falta de alinhamento com os valores da empresa.
EMPRESÁRIO DEMITINDO FUNCIONÁRIOS PETISTAS pic.twitter.com/rF54BUXh0H
— Fernando (@Brazilian__News) October 26, 2026
No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) pare de incentivar discriminação, perseguição ou demissão de trabalhadores por convicções políticas. A decisão, obtida pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro, ordenou a remoção das publicações e fixou multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Ela havia sugerido que empresários verificassem as redes sociais de funcionários para identificar eleitores de Lula.
No Paraná, a vereadora de Londrina e deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), escreveu: “Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!”.
No Rio Grande do Sul, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa encaminhou ao Ministério Público estadual um pedido de investigação prioritária sobre ameaças de demissão, perseguição política e listas de boicote.
A Lei nº 9.029/1995 prevê reintegração ou indenização para vítimas de dispensa discriminatória, enquanto empresas podem responder a investigações e ações por danos morais coletivos.