Justiça suspende projeto da “Times Square” paulistana e barra telões no Centro

Atualizado em 27 de maio de 2026 às 18:24
Projeção apresentada em consulta pública revela o resultado da intervenção em edifício na Avenida São João. Foto: Divulgação

A Justiça de São Paulo suspendeu nesta quarta-feira (27) o projeto Boulevard São João, conhecido como a “Times Square” paulistana, que previa a instalação de painéis gigantes de LED no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no centro da capital.

A decisão liminar foi assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, em ação popular movida por Angelo Andrea Matarazzo e outros autores, representados pelos advogados Igor Tamasauskas e Maitê Bertaiolli, do Bottini & Tamasauskas Advogados.

A magistrada determinou a suspensão imediata dos efeitos da aprovação do projeto pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) e proibiu o início de obras, instalações ou intervenções ligadas ao empreendimento. Na decisão, ela considerou “a magnitude do projeto, o impacto na região, bem como o potencial dano à toda população” como justificativa para a liminar, que ainda pode ser contestada por recurso.

A medida afeta diretamente a instalação dos telões previstos para os edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York, além das projeções mapeadas planejadas para o Edifício Independência II, onde funciona o Bar Brahma.

A juíza também determinou que a Prefeitura de São Paulo e os demais réus apresentem a íntegra da minuta do termo de cooperação do projeto, a ata completa da reunião da CPPU que aprovou a iniciativa, pareceres técnicos da Secretaria Municipal de Urbanismo e da São Paulo Urbanismo, e documentos sobre consulta pública e manifestações recebidas.

O Boulevard São João foi anunciado pelas gestões Nunes e Tarcísio em parceria com a Fábrica de Bares, dona do Bar Brahma, e previa investimento privado de R$ 42 milhões para transformar o cruzamento histórico em um polo de entretenimento inspirado na Times Square de Nova York.

O projeto incluía quatro painéis de LED em fachadas históricas, fechamento da avenida São João para carros nos fins de semana, palcos para shows, feiras gastronômicas e restauração de monumentos do centro.

De acordo com a proposta aprovada pela prefeitura, 70% do conteúdo exibido nos telões seria destinado à programação cultural e institucional, enquanto 30% poderiam ser usados para publicidade de marcas. O acordo previa duração de 36 meses.

A iniciativa gerou polêmica sobre o impacto na paisagem urbana, o respeito à legislação de proteção do centro histórico e a transparência do processo. Para os advogados Igor Tamasauskas e Maitê Bertaiolli, a liminar reforça os princípios da Lei Cidade Limpa, garantindo participação popular e controle social em projetos urbanos.

Segundo eles, a decisão impede a flexibilização da legislação em favor de interesses privados e evita que mudanças significativas na paisagem urbana ocorram sem debate público adequado.

O projeto Boulevard São João vinha sendo promovido como um “espaço de revitalização cultural e turística”, mas recebeu críticas por modificar o uso de vias históricas e alterar a estética tradicional do centro.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.