Justus admite que procurou Vorcaro para alavancar empresa: “Era agressivo, mas do bem”

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 10:01
O empresário Roberto Justus e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

O empresário Roberto Justus afirmou que procurou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para alavancar a Steelcorp, empresa de casas modulares em aço da qual é fundador e CEO, e disse que jamais imaginou que o banqueiro pudesse se envolver em uma crise como a revelada pela Operação Carbono Oculto. Segundo Justus, à época, Vorcaro parecia o parceiro ideal para a expansão do negócio.

Justus disse que a aproximação ocorreu quando buscava recursos para ampliar a empresa, incluindo a construção de uma nova fábrica. O Banco Master, então em “crescimento vertiginoso”, parecia, segundo ele, um sócio estratégico natural.

“Era um banqueiro agressivo, que eu conhecia, um menino super do bem, eu conheço ele desde pequeno. Então, assim, é um cara que eu nunca imaginei que pudesse entrar numa confusão dessa. Ele investiu em muitas empresas de amigos meus”, afirmou à Folha de S.Paulo.

Entrada do Master na Steelcorp

A Steelcorp foi fundada em julho de 2023, inicialmente com o nome Dry Service Construction. Em outubro daquele ano, a empresa assinou um bônus de subscrição de R$ 75 milhões com o SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, operação que previa a compra de 30% do negócio. O fundo tinha como cotista único o Banco Master e era administrado pela gestora Reag.

Justus afirmou que só descobriu a participação direta do Master após dois anos de parceria, devido às regras da CVM que permitem o sigilo dos cotistas de fundos. Até então, ele dizia publicamente que a Reag era sócia minoritária da Steelcorp e que João Carlos Falbo Mansur, ex-CEO da gestora, representava o fundo no conselho da empresa.

Documentos da Junta Comercial de São Paulo mostram, porém, que a Reag nunca figurou como sócia da Steelcorp, atuando apenas como administradora do fundo.

“Não, a Reag nunca foi sócia. Foi apenas administradora e gestora de um fundo, à qual eu fui muito agradecido na época, porque a empresa estava começando. Tanto que você pode ver que, no capital social, era bem relevante a participação deles; a empresa ainda era muito uma startup”, disse Justus.

Aval do Cade e ruptura da parceria

Em julho de 2024, quando a empresa passou a se chamar Steelcorp, foram reconhecidos no capital social os R$ 75 milhões aportados pelo fundo, além de R$ 2 milhões investidos por Justus e Marcelo Pieruzzi. Em setembro, a empresa apresentou formulário ao Cade comunicando a entrada formal do Banco Master na sociedade, por meio do fundo Dynamic, de Daniel Vorcaro, sem valor divulgado.

Segundo Justus, o aval do Cade demorou quase três meses. Ele afirmou que, ao longo desse período, Vorcaro passou a se envolver em outras negociações e deixou de dar atenção ao projeto.

“Eu não conseguia quase falar com o cara, e ele ia protelando, protelando, falando ‘vamos, vou converter’, ‘vou fazer’, ‘pode deixar’, ‘vou fazer’, e nunca fez. Chegou o momento em que desfizemos o contrato”, relatou.

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Fachada do Banco Master. Foto: Reprodução

Operação Carbono Oculto e desdobramentos

A deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, revelou infiltração do PCC no mercado financeiro e apontou a Reag como peça central na administração de fundos investigados. Após a operação, Mansur foi destituído do conselho da Steelcorp.

Na sequência, o fundo SH entrou em liquidação e determinou a transferência de seu patrimônio para outro fundo, o SH II FIP. Foi na documentação dessa liquidação que o nome do Banco Master apareceu formalmente como cotista, no único registro do banco junto à CVM. A transferência de mais de R$ 526 milhões ainda não foi concluída.

Participação do BRB e posição de Justus

Com a diluição societária ao longo do processo, os 10% da Steelcorp que pertenciam ao fundo SH passaram a ficar sob controle do BRB, banco que tentou comprar o Master no ano passado e teve a operação barrada pelo Banco Central. Justus disse não saber como essa participação foi parar no BRB.

“Vou fazer contato com os caras na hora certa e ver se eles querem seguir. Se eles não quiserem, eu posso até recomprar a parte deles, para eles não terem nenhum prejuízo. Não tenho interesse em prejudicar ninguém, mas também não quero prejudicar o meu negócio. Eu não quero ter sócios tóxicos no meu negócio”, afirmou.

Segundo o empresário, ele aportou R$ 300 milhões neste mês para retomar 90% da participação na Steelcorp e resolver passivos que seriam liquidados com recursos de Vorcaro.

“Se eu fizer algum outro movimento, procurar sócio estratégico, não quero mais ninguém do mercado financeiro. Quero fazer negócio com gente que possa ajudar a alavancar ainda mais a nossa empresa”, concluiu.