Karnaval Conká: fanfics dão trégua no massacre ideológico de BBB com audiência recorde

Por Paula Vianna

Karol Conká com o look de Wanda, a feiticeira escarlate

Acredite: quando a gente dizia “Já passou da hora de cancelar o BBB”, em artigo publicado domingo, não era por pura retórica, exagero ou caça-like. O crescimento de sua audiência nos dias seguintes mostra que, de fato, já era tarde demais pra opinião pública abandonar o programa, mesmo indignada com os abusos na casa.

O motivo? Alguns dirão que a perversidade ou, no mínimo, estupidez estão entre nós desde x ou y, de acordo com sua doutrina preferida. Outros, que mais vale uma “fanfic” na cabeça que várias “fakenews” atordoando. E que na vida sem gosto e sem cheiro da pandemia, a ficção, que brota nas redes sociais e sugere realidades paralelas até para um “reality show”, é o multiverso que a gente sonha encontrar. Ou será que por acaso, numa noite dessas de insônia e Netflix zerada, alguém ainda prefere esbarrar com notícias como “Variante varrerá o mundo e luta contra Covid pode levar 10 anos”?

Depois de tirar proveito do confronto nada ficcional de preto contra preto, mulher contra mulher, LGBT contra LGBT, catarinense contra paraibana, a audiência do Big Brother Brasil 21 chegou a 30 pontos de média e 54% de participação na distribuição de público entre as emissoras, o “share”, igualando seu recorde de audiência e marcando recorde de share. Na capital paulista, marcou 32 pontos de média e 54% de share, o maior desde 2010, quando foi ao ar a final do BBB10.

Com Lucas e Bil fora, o que passou a bombar nas redes sociais que multiplicam o alcance do BBB é uma mistura de ficção e realidade em torno dos participantes da casa. Conhecidas como “fanfics”, as histórias vão das singelas venturas e desventuras do “fantasma” de Fiuk pela casa à mirabolante teoria de que a performance catastrófica de Karol está ligada a alguma estratégia oculta, que só será revelada quando ela deixar a casa.

Acompanhe o nascimento de uma dessas histórias, uma das mais divertidas:

Karol Conká foi consagrada vilã da edição e mente fértil por trás de todas as tramas até o momento. Na sua cabeça, chegou a criar uma crush para o crush que de seu mesmo era quase nada, dizem as câmeras que os vigiam 24 horas. Quem nunca?

Nessa semana, após Karol deixar escapar que tinha falado com algum dos “grandes” do programa, para logo em seguida corrigir, dizendo que foi a psicóloga, a fanfic ganhou corpo e um pezinho na realidade. Ontem, Karol conquistou a líderança, numa jogada sem provas, mas com muita convicção dos tuiteiros de que o resultado foi soprado, levantando gritaria na rede com a tag #bbbmanipulado.

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Assim como nas boas fakenews, o bom é pescar as fanfics direto no Twitter. Essa, por exemplo, pode até romper a barreira da ficção pra virar denúncia, veremos. Senão, já pode ganhar o carimbo de fakenews da Globo, uma emissora que já interviu até nas eleições presidenciais.

Enquanto isso, Konká pode continuar protagonista das histórias mais mirabolantes, inspirando múltiplas realidades para sua Conkavision ou Karolverse interior. A participante, que já foi apelidada de Jaque Patombá, ganhou os novos apelidos em referência à nova série da Marvel, Wandavision. A trama acompanha a história de Wanda Maximoff e Visão, dois super seres vivendo uma vida ideal no subúrbio que, após eventos confusos, começam a suspeitar que nem tudo é o que parece.

Karol Conká em ‘Conká Vision’

Que caso de amor com amante e tudo que não houve, suposta ameaça de morte com direito a facas escondidas sob o travesseiro, que nada! A tendência na terceira semana do BBB21, depois de apertar a mente do brasileiro, como bem dizem na Bahia, é seguir o fio da fanfic da Juliette lésbica, sem nunca ter sido. “Deuxxx te ouça”, diz alguém de cá. “São as s4p4t0n4s iludidas querendo que ela seja do vale para shipparem com alguém”, responde alguém de lá. “Ela que se decida sozinha, sem pressão e achismo”, comenta outra, em mais uma conversinha amena de uma madrugada normal de BBB no Twitter.

Se esse BBB ainda tem alguma coisa que vale a pena acompanhar, é a imaginação do público nas redes sociais. Afinal de contas se quem está vigiado 24 horas por câmeras não está lá muito preocupado com a veracidade dos fatos, por que seu público estaria?

Paula Vianna, 48, é jornalista cultural

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