Keiko vence eleições no Peru antes da apuração de 100% das urnas; entenda

Atualizado em 24 de junho de 2026 às 6:22
Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru. Foto: Alessandro Cinque/Reuters

Keiko Fujimori, do partido Força Popular, venceu o segundo turno das eleições presidenciais do Peru após uma disputa decidida por uma margem estreita. Com 99,86% das urnas apuradas, a candidata de extrema-direita recebeu 50,118% dos votos, contra 49,882% de Roberto Sánchez, da esquerda peruana.

A diferença entre os candidatos superava 43 mil votos, enquanto restavam menos de 40 mil a serem contabilizados, o que impedia uma virada. Mais de 19 milhões de votos foram registrados na eleição realizada em 7 de junho. O Força Popular informou que aguardaria a conclusão oficial da apuração antes de declarar vitória.

Sánchez pediu a anulação dos votos registrados no exterior, que favoreceram amplamente Fujimori. Cerca de 300 mil votos poderiam ser afetados pela solicitação. “Protocolamos um pedido formal de anulação para que o Júri Nacional de Eleições declare a nulidade das eleições realizadas nas 119 repartições consulares”, afirmou o candidato no X.

“O processo eleitoral foi seriamente comprometido por modificações introduzidas a pedido do Poder Executivo (o Ministério das Relações Exteriores), especificamente em relação ao segundo turno presidencial”, acrescentou. Segundo Sánchez, sem os votos do exterior, ele teria vantagem de aproximadamente 25 mil votos.

Aos 50 anos, Keiko chega à Presidência em sua quarta tentativa. Ela havia perdido os segundos turnos de 2016, para Pedro Pablo Kuczynski, e de 2021, para Pedro Castillo. A presidente eleita substituirá José María Balcázar em 28 de julho e terá mandato de cinco anos.

Filha do ex-presidente ditador Alberto Fujimori, morto em 2024, Keiko explorou durante a campanha o legado político do pai e adotou o slogan “volta à ordem”. Alberto governou entre 1990 e 2000, deu um autogolpe e foi condenado por crimes contra a humanidade. Embora tenha construído sua trajetória sobre o fujimorismo, ela reconheceu que “crimes” ocorreram durante a gestão.

Keiko também foi investigada por suposta lavagem de dinheiro envolvendo a Odebrecht. A acusação apontava o recebimento ilegal de recursos para campanhas eleitorais. Ela ficou presa preventivamente por 17 meses entre 2018 e 2020, mas o processo foi anulado pela Justiça peruana em 2025. A política sempre negou irregularidades.

A nova presidente encontrará um país marcado pela instabilidade institucional. O Peru teve nove presidentes em dez anos, em meio a disputas entre Executivo e Congresso. O Força Popular terá a maior bancada nas duas Casas, com 41 das 130 cadeiras da Câmara e 22 das 60 vagas do Senado.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.