A beleza adúltera de Keira Knightley é a maior razão para ver Anna Karenina

Na versão espalhafatosa do clássico de Tolstoi, a graça da atriz inglesa quase vale o ingresso.

Keira como Ana
Keira como Ana

Tolstoi, um moralista, não gostava de Anna Karenina, a grande adúltera que ele criou na segunda metade do século 19 no apogeu da literatura russa.

Não vou dizer o que Tolstoi reservou para ela para não estragar o programa de quem for ao cinema ver a adaptação de Anna Karenina por Joe Wright, que estreou ontem no Brasil.

O que posso adiantar é que ele gostaria ainda menos de Anna se visse o que Wright fez com seu romance.

Faltou a Wright ser burro, como dizia Nelson Rodrigues a atores que mexiam as falas nas peças que escrevia.

Ele inventou, e errou. A grande cena em que Anna tem um ataque de nervos ao ver seu amante cair numa corrida de cavalos virou uma espécie de pataquada  psicodélica.

Ali não está retratada uma corrida de verdade. Vá ao Jóquei e compare quem quiser checar.

Jude Law como o marido traído entedia até o espectador. Aaron Johnson, que faz Vronsky, o amante, está igualmente entediante. Você se pergunta por que Anna haveria de trocar um tolo calado por um tolo falante.

Para ser franco, há uma única boa razão para ver o filme: a beleza de Keira Knightley no papel de Ana. Mas sendo ainda mais franco: Keira mostra muito mais de sua formosura em Um Método Perigoso, o bom filme em que ela é o pivô da ruptura entre Freud e Jung, no início do século 20.

 

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