Korn no Monsters of Rock: o pior show de todos os tempos

Korn em ação
Korn em ação

Quando o nu metal (ou new metal) apareceu, havia quem achasse que o velho e bom heavy metal ficaria obsoleto. Lembro que, por exemplo, a gravadora Roadrunner rescindiu seu contrato de anos com o Sepultura e assinou com a então nova banda de Max Cavaleira, o Soulfly.

O quanto eles estavam errados o tempo se encarregou de provar.

Pois bem. Neste exato momento o Korn toca no Monsters Of Rock o que é provavelmente o pior show que já vi na vida. A melhor música deste show não foi deles, mas da banda que a Roadrunner considerou obsoleta no fim dos anos 90, o Sepultura.

Jonathan Davis, o cantor, estava chateado com alguma coisa e descontou no público. “Vocês estão aí?”, perguntou. “Eu achava que tinha vindo a São Paulo!”, gritou, pedindo barulho. Até aí, tudo bem. Todo entretainer tenta tirar o máximo do público.

Mas ele tocou uma música e insistiu, com agressividade. “Eu não vim lá de longe até aqui para ouvir isso”, dizendo que o barulho do público estava baixo. De fato, não veio. Ele veio para fazer uma performance para um público que pagou ingresso. Uma performance pela qual foi pago.

E começou a fazer um sermão – em inglês – como se as pessoas estivessem entendendo o que ele falava. Parecia um pai dando uma bronca num filho.

O Korn é uma das bandas boas de sua geração. O problema é que é uma geração fraca. Slipknot, Limp Bizquit, Linkin Park, são muito, muito fracos se comparados com os caras do heavy metal anteriores. Lembre-se que estamos falando de um gênero que tem Black Sabbath, Deep Purple, Metallica, Slayer.

O show não é mal tocado. Pelo contrário. A banda é boa, tecnicamente falando. Não cheguei a ouvir nenhum erro. Mas as músicas são muito fracas. Melodias mal acabadas e pop no que há de pior, e as letras, adolescentes e superficiais. É heavy metal bundão. Isso, sem contar a atitude do cantor.

Eu entendo que o artista pode estar num mau dia. Mas, quando é o caso, a melhor coisa a fazer é entrar quieto e sair calado. Não que ele não possa dizer o que dá na telha. O microfone está nas mãos dele, não à toa. Mas ele não precisa ser tão grosseiro e agressivo com gente que está ali olhando para cima para vê-lo.

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