
Tarcísio de Freitas, o tenente que virou burocrata de Brasília e depois virou governador, pode estar mal orientado por quem sabe fazer política ou é um gênio.
O sujeito disse pela terceira vez que Bolsonaro é seu amigo, ao comentar que finalmente irá visitar o presidiário na Papudinha nessa quinta-feira:
Foi isso o que ele disse:
“Vai ser um papo de amigo. Vou falar de amenidades, ver se ele está precisando de alguma coisa, falar da solidariedade e do carinho que tenho por ele e do que a gente está fazendo aqui fora para ajudá-lo”.
E completou assim:
“Todo mundo pensa que vou falar sobre eleição, mas eu não costumo falar de política com ele. Procuro sempre mostrar que estou do lado dele, porque foi alguém que abriu uma porta importante para mim. Por isso, sempre terá a minha consideração”.
Imaginem que Tarcísio vá à cadeia para ver um golpista preso, e angustiado por não participar diretamente das articulações políticas, e os dois falem sobre o Parmeira e o Curintia.

As falas em sequência de Tarcísio são desqualificadoras do anfitrião que está à sua espera desde a semana passada. Até o carcereiro sabe que Bolsonaro quer falar de política e que vai cobrar apoio a Flávio.
É óbvio que Bolsonaro vai querer saber por que Tarcísio faz declarações frouxas sobre o filho escolhido como o seu candidato.
E também é previsível que Bolsonaro deixará a porta aberta para que o extremista moderado seja uma alternativa de última hora, se Flávio falhar por falta de apoio do centrão e dos jornalões.
Mas Tarcísio avisou:
“Isso (sobre Bolsonaro pedir que seja candidato a presidente) não vai acontecer. Mas eu diria não. Na última visita que fiz a Bolsonaro, quando ele estava em prisão domiciliar, ele me perguntou: qual é a sua posição na eleição presidencial? Eu respondi: a minha posição é ficar em São Paulo. Eu fui muito contundente”.
Imaginem que Tarcísio, uma criatura inventada por Bolsonaro, possa ser contundente diante do criador. O preso vai querer se reafirmar como líder do fascismo, mesmo encarcerado, e não como amigão de um vacilão.
Bolsonaro pode até considerá-lo um estepe furado, porque Tarcísio tem se mostrado medroso diante da hipótese de enfrentar Lula.
Mas sem essa conversinha de que serão dois amigos e que o CEO indeciso vai apenas se oferecer para alcançar alguma coisa que o outro precisar.
Tarcísio vai beijar mãos e pés de Bolsonaro como político subalterno e inconfiável do bolsonarismo. Só o que Bolsonaro quer dele é submissão absoluta.
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AGORA VAI
Parem o que estão fazendo e prestem atenção ao que importa. Ronaldo Caiado anunciou hoje que vai trocar o União Brasil pelo PSD de Kassab, para enfrentar Lula na eleição.
Caiado vai disputar a indicação do partido com Ratinho e Eduardo Leite. Que trio.