
O Cozinheiros do Bem, projeto social criado em 2015 pelo chef Julio Ritta, em Porto Alegre (RS), tornou-se alvo de um boicote de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) após a reeleição do presidente Lula (PT). A iniciativa, que distribui refeições gratuitas a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social, depende de doações e do trabalho de voluntários para manter suas atividades. Ritta relatou que empresários e colaboradores suspenderam contribuições por causa do resultado das urnas.
A organização nasceu da decisão do cozinheiro de deixar o trabalho em restaurantes para enfrentar a fome nas ruas da capital gaúcha. Com a participação de voluntários conhecidos como food fighters, o grupo passou a preparar e distribuir marmitas, especialmente na região do Viaduto da Conceição, no Centro Histórico. Em 2023, uma reportagem da GaúchaZH registrou que a iniciativa já havia distribuído 1,8 milhão de refeições desde sua fundação.
O trabalho não se limita à entrega de comida. A proposta é oferecer alimentação digna a pessoas que enfrentam a pobreza e a falta de moradia, sem exigir qualquer identificação política. Ao longo dos anos, o projeto mobilizou cozinheiros, empresários e moradores da região, além de ampliar suas ações durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ritta contou que começou a receber mensagens de pessoas que deixariam de doar porque Lula venceu a eleição presidencial. Alguns colaboradores sugeriram que ele passasse a pedir recursos ao presidente reeleito. O chef afirmou que votou no petista para impedir uma vitória de Flávio Bolsonaro, mas ressaltou que sua atuação social não representa apoio incondicional a nenhum governo. “Eu cobro o Lula, eu cobro desde sempre”, declarou.
“Late mais alto, moleque. Aproveita e pega o próximo voo e não esquece de pegar a peruca”, escreveu o chef.

Entre os apoios cancelados, segundo Ritta, estavam o pagamento das passagens do rapper MV Bill, convidado para a comemoração dos 11 anos do Cozinheiros do Bem, marcada para 14 de novembro, e o fornecimento de lenha e grelhas para o evento. O fundador anunciou uma rifa para ajudar a cobrir despesas e garantiu que as atividades da organização continuarão. Não foi divulgado um balanço completo do valor das contribuições suspensas.
O boicote ganhou repercussão nacional nesta quinta-feira (29), quando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou a situação nas redes sociais. O parlamentar compartilhou um vídeo de Ritta e questionou por que o projeto deveria continuar recebendo dinheiro de pessoas de direita criticadas pelo chef. Em resposta, Ritta rebateu a provocação e reafirmou sua disposição de manter o trabalho.
O fundador também divulgou uma mensagem recebida pelo WhatsApp em que um interlocutor ofendia eleitores de Lula e desejava que pessoas em situação de fome enfrentassem dificuldades ainda maiores. Ritta respondeu que a finalidade do Cozinheiros do Bem é garantir alimentação a quem precisa, independentemente do voto. Segundo relato publicado pela Rádiocom, ele afirmou que até mesmo o autor das ofensas seria bem-vindo à fila de refeições caso enfrentasse dificuldades.
A dependência de contribuições privadas já havia colocado a continuidade do Cozinheiros do Bem em risco anteriormente. Em 2023, a queda nas doações ameaçou as atividades da organização. Agora, o projeto enfrenta uma nova redução de apoios em meio à disputa política, enquanto Ritta reafirma o princípio que orienta seu trabalho: combater a fome, sem distinguir as pessoas por suas escolhas eleitorais.
🚨GRAVE – Julio Ritta, que promove o Cozinheiros do Bem, doação de refeições em Porto Alegre, diz que estão boicotando seu projeto social após Lula se eleger
“Para vocês verem como essas pessoas que estão boicotando o social tem merda na cabeça.” https://t.co/NB6xC6LhMi
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) October 29, 2026