Laudo aponta que Adélio Bispo é doente mental: como o clã Bolsonaro vai reagir a esse diagnóstico? Por José Cássio

As evidências apontam que Adélio agiu sozinho e que, solto, não pensaria duas vezes antes de tentar matar Bolsonaro (foto: reprodução)

Em meio à balbúrdia em que se tornou o país sob Bolsonaro, uma notícia passou despercebida nesta quinta, 7: a de que peritos indicados pela Justiça Federal atestaram, em laudo, que Adélio Bispo de Oliveira sofre de doença mental.

Adélio, 40 anos, é o ex-garçom que cometeu um atentado a faca contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) durante a campanha e que, por ter sido filiado ao PSOL, o presidente insiste em vincular o seu nome ao partido.

A insistência é tanta que, internado no Einstein, Bolsonaro cobrou, em vídeo, que a Polícia Federal acelerasse as investigações.

“Espero da nossa Polícia Federal, que nos orgulha a todos, que tenha uma solução para o nosso caso nas próximas semanas”, disse Bolsonaro.

“Porque esse crime, essa tentativa de homicídio, esse ato terrorista praticado por um ex-integrante do PSOL, não pode ficar impune”.

A cobrança pegou os delegados de surpresa.

Em trocas de mensagens do WhatsApp, alguns deles consideraram que Bolsonaro perdeu a chance de ficar calado por acharem a reclamação indevida já que os indícios da investigação mostravam que Adélio agiu sozinho.

O laudo que foi apresentado nesta quinta, e que torna Adélio inimputável criminalmente, mostra que ele tem transtorno delirante permanente. Ao ser examinado por psicólogos, disse que, se solto, voltaria a tentar matar Bolsonaro.

Envolvidos com os problemas que criam todos os dias, Bolsonaro e filhos não tiveram tempo para comentar o laudo judiciário.

Certamente o farão nos próximos dias. Com a quase certeza de que vão continuar repisando a tese de envolvimento partidário, sem considerar que palavras jogadas ao vento servem apenas para acirrar os ânimos e influenciar alguns menos esclarecidos.

A vereadora psolista Marielle Franco foi assassinada por milicianos há um ano. Jean Wyllys renunciou ao mandato na câmara dos deputados e se mudou do Brasil por medo de também sofrer violência.

Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a deputada Renata Souza precisou mudar sua rotina por causa das ameaças que recebe todos os dias.

Guilherme Boulos, presidenciável do PSOL, também adotou medidas após decisão da Executiva nacional.

Esses são os casos mais vistosos, mas há muitos outros país afora.

A ponto de o presidente da sigla, Juliano Medeiros, lamentar a atitude de Bolsonaro e filhos.

“O que eles estão fazendo é legitimar esse tipo de prática como parte da ação política”, diz.

Juliano espera que, agora, de uma vez por todas, o clã se convença de que o PSOL não teve qualquer envolvimento com o ato praticado por Adélio.

“Todas as evidências mostram que não há um indício sequer da nossa participação”, diz.

Se a tropa seguir com as insinuações, o dirigente diz que a questão é saber como o Estado vai reagir e lidar com um assunto tão grave.

“No fim, o que resta é a deterioração da própria democracia”, lamenta o presidente do PSOL.

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