Quem foi Laura Cardoso, ícone da TV que morreu aos 98 anos

Atualizado em 18 de agosto de 2026 às 7:29
A atriz Laura Cardoso. Foto: reprodução

A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite desta segunda-feira (17), após se sentir mal em sua casa no bairro de Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo. A morte de uma das pioneiras da televisão brasileira foi comunicada em seu perfil oficial no Instagram na madrugada desta terça-feira (18).

“Nossa grande estrela se despediu de nós! Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, publicou o perfil da artista. Fátima Cardoso, filha da atriz, informou que ela morreu por volta das 23h20.

Laura deixa duas filhas, netas e bisneto. O velório ocorrerá nesta terça-feira (18), das 8h às 14h, no bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo.

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, em 1927, Laura Cardoso iniciou a carreira artística aos 15 anos, em radionovelas. Ela adotou o nome pelo qual se tornou conhecida pelo público e, antes de chegar aos palcos e às novelas, também trabalhou no teatro infantil e no circo popular.

Da TV Tupi às novelas que atravessaram gerações

A atriz participou dos primeiros anos da televisão no país e atuou em teleteatros da TV Tupi. Em 1952, integrou “Tribunal do Coração”, programa escrito por Vida Alves. Mais tarde, viveu Cosette na adaptação de “Os Miseráveis”, exibida pela emissora em 1958.

Ao longo das décadas seguintes, Laura Cardoso passou por emissoras como Record, Band, TV Cultura e Globo. A estreia na Globo ocorreu em “Brilhante”, de 1981, a convite do diretor Daniel Filho. Dois anos depois, ela voltou à emissora para “Pão Pão, Beijo Beijo”, de Walther Negrão.

Entre seus trabalhos mais lembrados estão Dona Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia”, de 1993, e Dona Guiomar, personagem de “A Viagem”, no ano seguinte. Miguel Falabella, que contracenou com a atriz na novela, escreveu uma homenagem: “Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno”.

Laura também interpretou personagens em produções como “Fera Radical”, “Felicidade”, “Mundo da Lua”, “Irmãos Coragem”, “Chocolate com Pimenta”, “Caminho das Índias”, “Gabriela”, “Sol Nascente” e “O Outro Lado do Paraíso”. Seu último trabalho em novelas foi uma participação em “A Dona do Pedaço”, em 2019.

No teatro, estreou profissionalmente em “Plantão 21”, dirigida por Antunes Filho, em 1959. A carreira nos palcos lhe rendeu dois Prêmios Shell de Melhor Atriz, por “Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu”, em 1990, e “Vereda da Salvação”, em 1993.

A atriz acumulou cinco troféus da Associação Paulista de Críticos de Arte, o prêmio Oscarito do Festival de Gramado por sua contribuição ao cinema brasileiro e condecorações no audiovisual. Em 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu a ela a Ordem do Mérito Cultural.

Nos últimos anos, Laura Cardoso ainda participou do curta “Dona Rosinha”, de 2025, no papel de uma idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus. Ela também gravou em 2024 um episódio da série “Tributo”, do Globoplay, dedicada à sua trajetória artística.

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