
O cientista político Antonio Lavareda levantou sérias questões sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais no Brasil, apontando a falta de fiscalização e a opacidade na relação entre institutos e partidos políticos.
Em entrevista ao canal no YouTube do jornalista Bob Fernandes, Lavareda defendeu que a imprensa tem um papel crucial em expor essas dinâmicas e se posicionou contra a regulamentação das pesquisas, argumentando que ela pode conferir uma falsa legitimidade.
Ele destacou que muitos institutos de pesquisa recebem financiamento de partidos políticos, mas omitem essa informação ao divulgar seus resultados. “Há institutos que aparecem nas planilhas de despêndio dos partidos, dos partidos políticos. O partido pagou com fundo partidário um determinado instituto. Mas quando o instituto divulga pesquisa, ele não divulga como tendo sido encomenda do partido, ele divulga como se ele, o instituto, fosse o próprio contratante”, afirma.
Há pesquisas pagas por partidos, e institutos que não divulgam ter a pesquisa sido paga por um partido, relata Antônio Lavareda, cientista político e pesquisador, que cobra: TSE não fiscaliza, não tem como, e a imprensa pode ajudar se investigar e divulgar.https://t.co/fv8Z9f2sKZ pic.twitter.com/dqd3vpv9lA
— Bob Fernandes (@Bob_Fernandes) April 15, 2026
“Um mero exercício desse tipo já ajudaria a separar o joio do trigo ou começar a esclarecer as coisas”. Sobre a regulamentação das pesquisas, Lavareda expressou forte oposição. “Eu sou totalmente contra a regulamentação de pesquisa”, declarou. Sua justificativa reside na ineficácia da fiscalização por parte da Justiça Eleitoral. “No padrão atual, o Jânio já falou, o tribunal não fiscaliza. Nem fiscaliza agora, nem fiscalizou no passado, nem vai ter condições de fiscalizar adiante, porque não fiscaliza.”
O cientista político alertou para o risco de pesquisas “totalmente artificiais”, que podem ser criadas sem a aplicação de questionários reais, inclusive com o auxílio de inteligência artificial. “Uma pesquisa divulgada pode ser totalmente artificial. O instituto prepara, com a ajuda da inteligência artificial, as planilhas, deixa lá pronto, publica a pesquisa, o relatório, sem nunca ter passado um questionário sequer”, afirma.
Lavareda criticou o fato de que a ausência de fiscalização, aliada à menção de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confere uma “pseudo-chancela” e “pseudo-legitimação” às pesquisas. “O que esses institutos trazem com base na legislação? Trazem a chancela do Tribunal Superior Eleitoral, porque colocam lá em cima: ‘pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral’. E o pobre eleitor pensa que o Tribunal Superior Eleitoral fiscalizou aquela pesquisa. Não fiscalizou. Então, sem regulamentação, ao menos, nós não teríamos essa pseudo-chancela, pseudo-legitimação da justiça eleitoral”, concluiu.