Leandra Leal cobra checagem de entrevistas de Cazarré, recheadas de fake news. Por Nathalí

Atualizado em 14 de maio de 2026 às 16:51
Os atores Leandra Leal e Juliano Cazarré. Foto: Divulgação

O curso de Juliano Cazarré ainda vem dando o que falar, felizmente pelos motivos certos: não são aulas sobre como “ser homem”, são aulas sobre como ser machista — desculpem o pleonasmo.

A verdade é que o coach de masculinidade frustrado está conseguindo popularidade, mas não exatamente como planejou: ninguém elogia o curso do homem, a não ser bolsonaristas dos níveis mais alarmantes de ignorância. E os red pills, é claro. Fora isso, Cazarré apenas coleciona críticas e ridicularização enquanto se imagina um coach respeitado — se é que a união dessas palavras é possível. Algo me diz que “coach” e “respeitado” não cabem na mesma frase.

Depois de dezenas de colegas da classe artística criticarem a patacoada, Leandra Leal entrou no debate trazendo à tona uma ideia importantíssima: essa gente adora se munir de fake news para justificar os absurdos que costuma defender.

E com o nosso querido professor de como ser escroto não seria diferente: Cazarré usou uma notícia falsa para embasar a ideia estapafúrdia de que, no Brasil, as mulheres matam mais do que os homens.

#SomosTodasMatsunaga?

Senta lá, Juliano.

“Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade. Programas de debates e entrevistas não podem permitir que distorções de dados sejam usados para comprovar pontos de vista. A correção tem que vir na mesma velocidade da fala com checagem de fatos em tempo real”, escreveu a atriz, no X.

Cirúrgica.

É papel de um jornalismo sério checar as falas transmitidas ao mundo inteiro, sobretudo as falas de gente como Cazarré, gente machista e negacionista – afinal, fake news é sobrenome dos tais coachs de masculinidade.

Ao apontar a mentira, a atriz recomendou a checagem de fatos contra esse tipo de pilantragem — porque isso já ultrapassou, há muito tempo, a mera desonestidade intelectual.

Gente como Juliano Cazarré, um homem à moda antiga no pior sentido possível, simplesmente não serve para nada em uma humanidade que tenta minimamente progredir.

Quanto à Leandra Leal: necessária. Ainda estamos lidando com gente da pior estirpe, que, além de se orgulhar da própria ignorância, usa a pouca inteligência que lhe resta para embasar absurdos com notícias falsas — e, sim, tem gente que acredita.

A verdade é que as cenas dos próximos capítulos dessa novela pós-moderna, brasileiríssima, de bandidagem e algoritmos serão ainda mais assustadoras. E é preciso que estejamos preparadas para enfrentar cada vez mais cursos que, no fim das contas, funcionam como formadores de feminicidas, porque justificam a violência de gênero no discurso — e é exatamente aí que tudo começa.

E que Juliano continue aparecendo, bem do jeito que ele gosta, mas sempre para ser apontado como o professor de machismo que é.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.