
O curso de Juliano Cazarré ainda vem dando o que falar, felizmente pelos motivos certos: não são aulas sobre como “ser homem”, são aulas sobre como ser machista — desculpem o pleonasmo.
A verdade é que o coach de masculinidade frustrado está conseguindo popularidade, mas não exatamente como planejou: ninguém elogia o curso do homem, a não ser bolsonaristas dos níveis mais alarmantes de ignorância. E os red pills, é claro. Fora isso, Cazarré apenas coleciona críticas e ridicularização enquanto se imagina um coach respeitado — se é que a união dessas palavras é possível. Algo me diz que “coach” e “respeitado” não cabem na mesma frase.
Depois de dezenas de colegas da classe artística criticarem a patacoada, Leandra Leal entrou no debate trazendo à tona uma ideia importantíssima: essa gente adora se munir de fake news para justificar os absurdos que costuma defender.
E com o nosso querido professor de como ser escroto não seria diferente: Cazarré usou uma notícia falsa para embasar a ideia estapafúrdia de que, no Brasil, as mulheres matam mais do que os homens.
#SomosTodasMatsunaga?
Senta lá, Juliano.
“Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade. Programas de debates e entrevistas não podem permitir que distorções de dados sejam usados para comprovar pontos de vista. A correção tem que vir na mesma velocidade da fala com checagem de fatos em tempo real”, escreveu a atriz, no X.
Cirúrgica.
Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade.
Programas de debates e entrevistas não podem permitir que distorções de dados sejam usados para comprovar pontos de vista.
A correção tem que vir na mesma velocidade da fala com checagem de fatos em tempo real.
— Leandra Leal (@leandraleal) May 14, 2026
É papel de um jornalismo sério checar as falas transmitidas ao mundo inteiro, sobretudo as falas de gente como Cazarré, gente machista e negacionista – afinal, fake news é sobrenome dos tais coachs de masculinidade.
Ao apontar a mentira, a atriz recomendou a checagem de fatos contra esse tipo de pilantragem — porque isso já ultrapassou, há muito tempo, a mera desonestidade intelectual.
Gente como Juliano Cazarré, um homem à moda antiga no pior sentido possível, simplesmente não serve para nada em uma humanidade que tenta minimamente progredir.
Quanto à Leandra Leal: necessária. Ainda estamos lidando com gente da pior estirpe, que, além de se orgulhar da própria ignorância, usa a pouca inteligência que lhe resta para embasar absurdos com notícias falsas — e, sim, tem gente que acredita.
A verdade é que as cenas dos próximos capítulos dessa novela pós-moderna, brasileiríssima, de bandidagem e algoritmos serão ainda mais assustadoras. E é preciso que estejamos preparadas para enfrentar cada vez mais cursos que, no fim das contas, funcionam como formadores de feminicidas, porque justificam a violência de gênero no discurso — e é exatamente aí que tudo começa.
E que Juliano continue aparecendo, bem do jeito que ele gosta, mas sempre para ser apontado como o professor de machismo que é.
Leandra Leal pede que jornalistas façam checagem de fatos após fake news de Juliano Cazarré de que "mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres". pic.twitter.com/nHuxBTmLAc
— POPTime (@poptime) May 14, 2026