Líder de ocupação que Doria chamou de “facção criminosa” fez selfie com ele em festa de Bruno Covas. Pois é. Por Kiko Nogueira

Dos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida surgem histórias, também, pitorescas.

Em abril de 2017, João Doria, candidato a governador de SP pelo PSDB, posou sorridente ao lado de Ananias Pereira, coordenador do movimento que ocupava o arranha céu que desabou no largo do Paissandu na madrugada da última terça, dia 1º.

“O prédio foi invadido e parte desta invasão financiada e ocupada por uma facção criminosa”, decretou Doria.

Segundo a Folha, a foto foi tirada na festa de aniversário do atual prefeito Bruno Covas — que também posou com Ananias –, e postada pelo próprio coordenador do movimento no Facebook.

Doria aparece sorridente ao lado de Ananias e de outro homem que faz o característico sinal de “acelera”.

Ao Globo, a mulher de Ananias, Zuleide contou que o marido tinha ambições políticas.

“Conseguir se eleger, para conseguir adquirir um cargo público, porque realmente são pessoas carentes [os moradores das ocupações]”, falou.

Ananias não era penetra no rega bofe. Planejava se lançar politicamente. Não era um desconhecido do círculo de Doria e Covas.

Em nota, a assessoria de JD alegou que seu cliente “não sabia de quem se tratava quando tirou a foto com Ananias, durante um evento em um restaurante, no qual ele esteve como convidado”.

É exatamente a mesma resposta do estafe de Alckmin quando apareceram imagens dele em 2010 com o então candidato a deputado estadual Claudinei Alves do Santos, o Ney Santos, acusado de ligação com o PCC.

Santos foi preso logo depois por adulteração de combustível, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Hoje é prefeito de Embu.

O conceito de “facção criminosa” precisa ser revisto e ampliado.

Doria com Ananias, do MLSM (dir.): “facção criminosa”
Bruno Covas e Ananias (esq.), do MLSM
Alckmin em 2010 com o então candidato a deputado estadual Ney Santos, acusado de ligação com o PCC

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