Líder do MBL explica racha na extrema direita: “Manifestação mais atrapalha que ajuda”. Por Zambarda

Bolsonaro e um eleitor do barulho: “Não estou arrependido”

A extrema direita rachou. De um lado, estimulados por Bolsonaro, estão o Luciano Hang, conhecido como o “Véio” da Havan, o Major Olímpio, a deputada Carla Zambelli e outras figuras menos conhecidas.

De outro, o MBL, Janaína Paschoal, Joice Hasselmann, Alexandre Frota e mais uma patota que até outro dia estava abraçada a Carla Zambelli nas manifestações golpistas.

O motivo da discórdia é a manifestação deste domingo, organizada com incentivo de Jair Bolsonaro. Da boca para fora, o primeiro grupo diz que quer manifestar apoio ao governo, mas, no fundo, o que pretendem é, fortalecendo Bolsonaro, enfraquecer o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal — muitos falam até em fechamento.

Já o segundo grupo prefere manter a disputa no campo institucional.

Muita roupa suja está sendo lavada em público e, para entender essa disputa na extrema direita, o DCM falou com Arthur Moledo do Val, o youtuber do MBL conhecido como Mamãe Falei.

Diário do Centro do Mundo: Assisti ao vídeo do MBL sobre o protesto. Você acredita que o protesto do dia 26 de fato pede o fechamento do Congresso ou do Supremo?

MamãeFalei: A manifestação começou com tom errado. Deu a entender que pedia o fechamento do STF.

Com o tempo foi corrigido o frame e acho que hoje a intenção das pessoas que vão às ruas no dia 26 não é o fechamento do Congresso.

Ainda assim, apesar da boa intenção das pessoas que vão, a manifestação mais atrapalha as reformas do que ajuda.

DCM: Vocês se posicionam contra a ala familiar e olavista de Bolsonaro. Se arrependem do apoio ao presidente na eleição?

MamãeFalei: Não nos posicionamos contra a ala familiar. Não existe isso. Não existe um negócio que, se existe uma família do Bolsonaro, a gente é contra. Em relação à ala olavista, do bolsonarismo, eu não diria uma oposição de fato a todo mundo que segue o Olavo, mas nós temos ideias divergentes de algumas apresentadas por esta ala do governo.

Não temos nada contra, pessoalmente, de uma ala ou outra, mas acreditamos que as melhores ideias não vem desta ala, e sim da ala mais pragmática, da ala liberal, a ala do Paulo Guedes.

Não me arrependo e ninguém do MBL se arrepende de ter dado apoio ao Bolsonaro no segundo turno.

Naquela questão, era realmente uma questão dicotômica, eram apenas duas escolhas. Ou PT de volta ao poder, ou o Bolsonaro. E não me arrependo nenhum segundo de ter apoiado o Bolsonaro.

DCM: Na sua opinião, qual é o maior erro de Bolsonaro no relacionamento com o Congresso?

MamãeFalei: O maior erro do Bolsonaro em relação ao Congresso é justamente a falta de articulação, a demonização da política. E dizer que quem concorda com ele está do lado bom. Para eles, quem não concorda, obviamente, quer toma lá de cá. E as coisas não são bem assim.

Neste caso, as coisas não são dicotômicas, não existem apenas duas opções. Existem ali algumas possibilidades, de parlamentares que precisam ser convencidos através dos bons argumentos, através da política virtuosa.

E isso não é toma-la-dá-cá.

Acho que está faltando um pouco de habilidade neste sentido.

DCM: O que você acha a respeito da manifestação dos estudantes no dia 15 de maio, além do textão que foi postado no Twitter do MBL?

MamãeFalei: A manifestação dos estudantes, em primeiro lugar, não é dos estudantes. Começa por aí. Não representa ali a vontade da maioria dos estudantes e, mais do que isso, ainda tinha pautas implícitas ali, como Lula Livre.

São claramente pautas dirigidas pela esquerda, que não tem nada a ver com educação. Agora, no que se refere a questão da educação, especificamente, eu acredito que algumas pessoas saírem às ruas para se manifestarem a favor da educação, a pauta pedida, que é justamente o investimento em mais ensino superior, prejudica a nossa educação.

Porque hoje não temos dinheiro para investir em educação básica.

DCM: O MBL diz, em vídeo, ser oposição a qualquer governo. Não faltou oposição ao Temer?

MamãeFalei: O MBL nunca se disse oposição a qualquer governo, e nunca se disse situação a qualquer governo. Nós sempre deixamos claro, desde sempre, que nós somos a favor das boas ideias, e contra as más ideias. Que ideias são estas? As ideias que consideramos boas são as ideias liberais, de enxugamento da máquina pública.

Em relação ao Temer, quando o Temer apresentou as três medidas que a gente acreditava serem boas para o Brasil, PEC do Teto, Reforma Trabalhista, Reforma Previdenciária, nós apoiamos a medida.

Quando ele criou mais ministérios, quando apareceram as polêmicas envolvendo o Temer em escândalos de corrupção, ninguém saiu em defesa do Temer, da figura do presidente ou a pessoa Michel Temer.

Acho há um um equívoco na interpretação de algumas pessoas em relação ao MBL em relação a alguns governos.

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