
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá derrubar a República Islâmica e ameaçou afundar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está próximo ao país.
A declaração foi feita em Teerã, em meio à escalada de tensões militares e à retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano. No discurso, Khamenei questionou a supremacia militar americana e sugeriu que o Irã tem capacidade de reagir a eventuais ataques.
“O presidente dos EUA diz que o Exército deles é o mais forte do mundo, mas o Exército mais forte do mundo às vezes pode levar um golpe tão forte que não consegue se levantar. (…) Mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar”, afirmou.
The US President keeps saying that they have the strongest military force in the world. The strongest military force in the world may at times be struck so hard that it cannot get up again.
— Khamenei.ir (@khamenei_ir) February 17, 2026
As falas ocorrem enquanto Trump pressiona Teerã a encerrar o programa nuclear e ameaça atacar o país caso as negociações fracassem. O presidente norte-americano disse na segunda-feira que participa “indiretamente” das tratativas e voltou a alertar sobre consequências se não houver acordo.
“Estarei envolvido indiretamente nas negociações, vamos ver o que vai acontecer. Acho que eles são maus negociadores, porque poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2”, declarou. “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, concluiu.
Presença militar e impasse nuclear
Desde janeiro, os Estados Unidos reforçaram a presença militar no Oriente Médio com dois porta-aviões, dezenas de navios de guerra e caças. O USS Abraham Lincoln foi deslocado para o Mar Arábico, próximo à costa iraniana, e o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, também foi enviado à região.
As negociações seguem com grandes divergências. Washington exige que o Irã abandone programas nuclear e de mísseis e interrompa o apoio a grupos armados, enquanto Teerã afirma que negociará apenas o programa nuclear.
Autoridades iranianas indicaram disposição para diluir estoques de urânio enriquecido em troca do fim das sanções e aceitar inspeções internacionais, mas rejeitam “exigências excessivas” dos EUA. A tensão aumentou ainda mais após a Guarda Revolucionária anunciar exercícios militares no Estreito de Ormuz.