
A pressão interna na Europa, gerada pela inflação e pela crescente resistência da população à guerra no Oriente Médio, tem levado líderes do continente a reavaliar suas posições em relação aos Estados Unidos. Desde o início do conflito, a guerra contra o Irã tem sido um fator de grande impacto na política europeia, forçando presidentes e primeiros-ministros a reconsiderar a aliança com o governo de Donald Trump. Com informações do Globo.
Na feira de Aligre, em Paris, moradores de um dos bairros populares da cidade convivem com a alta dos preços, especialmente no setor de pesca. A disparada dos custos da energia, impulsionada pela guerra, afetou diretamente o mercado de pescados. “O salmonete, que antes custava € 14,99, agora está a € 24,99, e deve chegar a € 29,99”, relatou o peixeiro Jo Soraya, apontando a dificuldade de repor os estoques.
A mudança de postura dos líderes europeus não é mais uma tendência isolada. Governos que anteriormente estavam alinhados com Trump, como os de Itália, França e Reino Unido, agora buscam distanciar-se do presidente americano, temendo as repercussões políticas internas. A guerra no Oriente Médio tem gerado prejuízos econômicos e sociais significativos, o que se reflete nas eleições e na popularidade desses líderes.

O caso mais notável é o do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que tem se posicionado contra os ataques desde o início. Outros líderes, como Emmanuel Macron da França e Giorgia Meloni da Itália, também têm adotado uma postura mais crítica em relação às ações do presidente dos EUA. “Quando você quer ser sério, não pode sair por aí dizendo o oposto do que acabou de dizer no dia anterior”, afirmou Macron, em clara crítica a Trump durante uma visita à Coreia do Sul.
A decisão do governo britânico, por exemplo, de não apoiar publicamente a ação militar dos EUA tem gerado atritos com os aliados do Atlântico. Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, criticou a postura de Trump, afirmando que as famílias britânicas não devem pagar pelos erros de políticas externas que afetam diretamente a economia do país.
A guerra também afetou diretamente a vida cotidiana na Europa, com o aumento dos preços de combustíveis e passagens aéreas. Manifestações em países como a Irlanda e a França refletem o descontentamento popular com os altos custos gerados pelo conflito. Em Paris, o aumento nos preços de alimentos e combustíveis tem levado o governo a anunciar pacotes de ajuda para os setores mais afetados, como pescadores e agricultores.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte de petróleo, aumentou os custos de energia, impactando toda a economia europeia. O professor Jan Rosenow, da Universidade de Oxford, explicou que a dependência da Europa de importações de energia coloca os governos em uma posição difícil, onde as consequências de uma guerra distante são sentidas diretamente pelos consumidores.
Apesar das pressões internas, a guerra no Oriente Médio continua a ser um ponto de confronto entre os interesses políticos de líderes europeus e os dos Estados Unidos. A mudança de postura de Meloni, que até então era uma das maiores aliadas de Trump, mostra como a dinâmica política no continente está mudando rapidamente. O futuro da relação entre a Europa e os EUA depende agora de como os líderes europeus irão gerenciar os impactos da guerra e da inflação que já afetam suas populações.