Lilia Schwarcz e a malandragem cafajeste do presidente com a menina: retrato de pais misógino

Publicado originalmente no Instagram da autora

POR LILIA SCHWARCZ, antropóloga

Na foto oficial do governo vemos Bolsonaro com sua expressão de deboche de sempre, fazendo piada, ladeado por uma menina com chapéu de rodeio.

Faz parte da estética bolsonarista fazer papel de “macho alfa malandro”. Mas são muitas as consequência desse tipo de atitude e a foto nada tem de ingênua. Na sua live desta quinta-feira, Bolsonaro recebeu uma menina de 10 anos para conversar. Era uma youtuber que havia estado com o presidente outras duas vezes. Bolsonaro aproveitou para demonstrar, uma vez mais, seu humor sem graça.

Fez piadas sobre gordos e sobre como descobriu o significado da palavra misoginia. Exibiu seu preconceito e achou graça dele. Ao final, soltou um gracejo malicioso e ambíguo para com a garota. Enquanto ela explicava que começara a fazer entrevistas em vídeo aos seis anos, ele dava uma conotação sexual à expressão “começar cedo”, e gargalhava da própria piada misógina (termo cujo sentido evidentemente ele continua a desconhecer).

Como seu estilo é esse mesmo — avança o sinal e depois avisa que nada fez — o presidente muito provavelmente recorrerá às desculpas de plantão: que as pessoas não tem humor, que ele é vítima do politicamente correto, que a garota não estava “nem aí”.

Num país em que, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2018, ocorreram 66 mil estupros e que 53,6% foram cometidos contra meninas de até 13 anos, é patética a figura de um presidente que se vangloria do seu machismo e de seus asseclas que riem porque assim manda a malandragem cafajeste do presidente.

Já a menina esboça um sorriso sem jeito — de quem nada entendeu — e olha para o lado. Triste retrato de um país misógino. (Reprodução de foto oficial do site do governo)

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Na foto oficial do governo vemos Bolsonaro com sua expressão de deboche de sempre, fazendo piada, ladeado por uma menina com chapéu de rodeio. Faz parte da estética bolsonarista fazer papel de “macho alfa malandro”. Mas são muitas as consequência desse tipo de atitude e a foto nada tem de ingênua. Na sua live desta quinta-feira, Bolsonaro recebeu uma menina de 10 anos para conversar. Era uma youtuber que havia estado com o presidente outras duas vezes. Bolsonaro aproveitou para demonstrar, uma vez mais, seu humor sem graça. Fez piadas sobre gordos e sobre como descobriu o significado da palavra misoginia. Exibiu seu preconceito e achou graça dele. Ao final, soltou um gracejo malicioso e ambíguo para com a garota. Enquanto ela explicava que começara a fazer entrevistas em vídeo aos seis anos, ele dava uma conotação sexual à expressão “começar cedo”, e gargalhava da própria piada misógina (termo cujo sentido evidentemente ele continua a desconhecer). Como seu estilo é esse mesmo — avança o sinal e depois avisa que nada fez — o presidente muito provavelmente recorrerá às desculpas de plantão: que as pessoas não tem humor, que ele é vítima do politicamente correto, que a garota não estava “nem aí”. Num país em que, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2018, ocorreram 66 mil estupros e que 53,6% foram cometidos contra meninas de até 13 anos, é patética a figura de um presidente que se vangloria do seu machismo e de seus asseclas que riem porque assim manda a malandragem cafajeste do presidente. Já a menina esboça um sorriso sem jeito — de quem nada entendeu — e olha para o lado. Triste retrato de um país misógino. (Reprodução de foto oficial do site do governo)

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