Lima Duarte, como tantos outros famosos, foi decisivo na ascensão da extrema direita no Brasil. Por Joaquim de Carvalho

Lima Duarte foi notícia nas últimas semanas por dois vídeos: um em que ele, sem citar nomes, lamenta a ascensão do bolsonarismo e outra em que faz uma emocionante homenagem a Flávio Migliaccio.

Mas há outro vídeo que Lima Duarte certamente gostaria de apagar, mas é impossível, e esse registro é uma prova acabada da precisão das palavras do filósofo romano Sêneca:

“Quando penso em certas coisas que falei, tenho inveja dos mudos”.

No vídeo que voltou a circular na internet, gravado em dezembro de 2015, Lima Duarte aparece ao lado do militante de extrema direita Tomé Abduch, parceiro de Carla Zambelli no movimento Nas Ruas.

Lima Duarte e Tomé estão juntinhos, cabeça com cabeça, para aparecerem na tela do celular. Diz o ator multipremiado:

“Ela (Dilma Rousseff) não está preparada. Ela não sabe o que é isso (filosofia do direito, arte de governar). Então, que ela seja feliz em outro canto. E nós vamos tentar achar o nosso caminho”, diz.

Quatro meses depois, naquele circo de horrores que foi a votação do impeachment, Dilma caiu.

Deu em Bolsonaro, o governo que o sorridente e rico Tomé Abduch ajudou a empoderar, com apoio de Lima Duarte.

Sobre Lula, o ator diz:

“Quando eles assumiram o poder, eu disse: o Lula promove a glamourização da ignorância. Isso, sendo um presidente da república, é um crime de lesa-pátria”.

Lima Duarte, na época com 85 anos, também prova que a idade não traz, necessariamente, sabedoria. Como muitos brasileiros, o ator ajudou colocar a ignorância no poder.

Podemos perdoá-lo, mas jamais esqueceremos. Ele e tantos outros.

 

 

 

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