Lindbergh aciona a PGR após Flávio admitir envio de relatório “reservado” aos EUA

Atualizado em 7 de abril de 2026 às 22:22
O deputado petista, Lindbergh Farias, abriu um pedido na Procuradoria Geral da União sobre relatório enviado ao governo estadunidense por Flávio Bolsonaro. Fotomontagem

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) informou nesta terça-feira (7), em publicação nas redes sociais, que acionou a Procuradoria-Geral da República após Flávio Bolsonaro admitir ter recebido um relatório “reservado” e repassado o material a autoridades dos Estados Unidos. No post, o parlamentar chamou o episódio de “traição à soberania” e afirmou que o caso não seria isolado.

Segundo a representação, Lindbergh pediu abertura de investigação sobre a declaração do senador do PL referente ao envio de um “relatório de inteligência” obtido por ele ao governo americano. O documento encaminhado à PGR menciona um vídeo em que Flávio afirma ter recebido “um relatório de inteligência das Forças de Segurança do Rio de Janeiro”, classificado como “reservado”, e tê-lo enviado à Casa Branca, à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e ao secretário de Estado Marco Rubio.

Na peça, Lindbergh sustenta que a fala de Flávio altera a natureza jurídica do caso porque envolve, segundo sua argumentação, acesso a documento de inteligência estatal sob sigilo e remessa a autoridades estrangeiras. O deputado afirmou ainda que, se a declaração for confirmada, o episódio pode envolver violação do regime de proteção de informação sensível e eventual comprometimento da segurança do Estado brasileiro.

O parlamentar também argumenta que a gravidade aumenta pelo uso da expressão “oficialmente”, atribuída a Flávio na representação. Segundo o texto reproduzido pelo Metrópoles, isso exigiria apuração sobre eventual uso de mandato, estrutura pública, canais institucionais ou outros meios estatais para dar caráter formal ao envio do material. Na mesma petição, Lindbergh pede acesso ao suposto relatório, identificação da autoria do documento e esclarecimentos sobre como ele teria chegado às mãos do senador.

Em publicação ao X, Lindbergh ampliou a crítica política ao dizer que haveria um “padrão” na conduta do bolsonarismo, citando entrega da Amazônia, defesa de sanções contra o Brasil e envio de informação sensível ao exterior. Na mesma publicação, ele também atacou o apoio de aliados de Flávio a Donald Trump, depois de o presidente americano dizer que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, frase que já havia provocado reação internacional em outro episódio da escalada contra o Irã.

Lindbergh pediu a preservação do vídeo em que o senador fala sobre o envio do relatório aos Estados Unidos, para subsidiar eventual apuração formal.

Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo e estudos sobre mobilidade urbana e políticas públicas.