
O deputado federal Lindbergh Farias protocolou o documento, que aponta a possível omissão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto diante de alertas formais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre o risco crescente envolvendo o Banco Master.
De acordo com a denúncia, o FGC e a Febraban enviaram comunicações escritas alertando sobre o aumento das vendas de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) arriscados por parte do Banco Master, uma instituição financeira envolvida em um grande escândalo.
A revelação de que esses alertas chegaram formalmente ao Banco Central coloca em questão a resposta da autarquia e a conduta de seu ex-presidente. A investigação busca apurar se ele teve conhecimento documentado do risco e se sua falta de ação foi uma omissão qualificada.
Em termos jurídicos, a situação vai além de uma simples falha técnica. A nova evidência de que Campos Neto foi formalmente avisado sobre o aumento do risco levanta a hipótese de que ele poderia ter agido de forma inadequada, dada a gravidade da situação.
A revelação sobre o alerta formal do FGC e da Febraban altera o foco da análise, que antes se restringia à postura da supervisão bancária, para se centrar na omissão de quem tinha a responsabilidade de agir para mitigar os riscos.
A documentação que está sendo requerida pelas autoridades inclui e-mails, registros de reuniões, ofícios e atas que possam comprovar a tramitação das comunicações dentro do Banco Central. O objetivo é entender como o alerta foi tratado internamente e se houve negligência ou falta de diligência em relação à gravidade da situação.
🚨URGENTE: Lindbergh Farias aciona PF e aponta possível blindagem de Roberto Campos Neto ao Banco Master
O deputado federal Lindbergh Farias afirmou ter protocolado uma notícia-crime na Polícia Federal contra Roberto Campos Neto, levantando suspeitas de favorecimento ao Banco… pic.twitter.com/nKAaYIeG6e
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) March 17, 2026
A transparência sobre a circulação desses documentos e a reação das autoridades competentes será crucial para determinar se houve falha na supervisão do Banco Master. A investigação também levanta questões sobre a responsabilidade do Banco Central e de sua cúpula diante de um risco sistêmico crescente.
A omissão de Campos Neto, se confirmada, poderia ser considerada como uma falha grave na proteção do sistema financeiro brasileiro. Além disso, o caso coloca em xeque a confiança na supervisão bancária e na capacidade das autoridades regulatórias de agir com eficiência diante de riscos conhecidos.
Além da possível omissão funcional, a denúncia traz à tona a necessidade de apurar se houve prevaricação, conforme previsto no Código Penal. A prevaricação ocorre quando um agente público, tendo o dever de agir, se omite ou procrastina um ato administrativo.
Nesse caso, a alegação é de que Campos Neto sabia dos riscos, mas não tomou as providências necessárias, permitindo que a crise se agravasse. O caso também implica uma discussão sobre a atuação do Banco Central como “garantidor” da estabilidade financeira.
As instituições reguladoras possuem um dever legal de monitorar o mercado e agir para proteger os interesses dos depositantes e do sistema financeiro como um todo. A omissão ou resposta inadequada da autoridade máxima do Banco Central poderia ser vista como uma violação desse dever.