Lindbergh aciona STF para destravar CPMI do Master e mira conexões políticas de Vorcaro

Atualizado em 15 de maio de 2026 às 17:18
O deputado federal Lindbergh Farias. Foto: Divulgação

O deputado federal Lindbergh Farias apresentou nesta sexta-feira (15) duas iniciativas simultâneas para tentar garantir a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master.

A primeira medida foi um mandado de segurança protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a Mesa do Congresso Nacional a fazer a leitura do requerimento já apresentado anteriormente. A segunda foi o protocolo de um novo pedido de CPMI com escopo ampliado para investigar operações financeiras, atuação regulatória e possíveis conexões políticas ligadas ao banco e ao empresário Daniel Vorcaro.

Segundo ele, o requerimento original já preenchia os requisitos constitucionais de assinaturas mínimas, fato determinado e prazo de funcionamento. A ação apresentada ao STF sustenta que a ausência de leitura do pedido pela Presidência do Congresso inviabiliza, na prática, a instalação da comissão parlamentar e impede o exercício do direito de investigação da minoria.

O novo requerimento da CPMI amplia o foco da investigação para incluir a autorização concedida a Vorcaro para assumir o antigo Banco Máxima durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.

O texto também cita suspeitas relacionadas a fraudes com carteiras de crédito sem lastro, omissão regulatória, exposição de fundos de previdência e a tentativa de venda do Banco Master ao BRB.

A proposta ainda prevê apuração sobre possíveis vantagens indevidas, doações eleitorais, utilização de aeronaves privadas, remessas internacionais e eventual financiamento político oculto ligado à extrema-direita brasileira. Segundo Lindbergh, o objetivo da CPMI é rastrear a origem e o destino dos recursos movimentados no caso.

O requerimento destaca ainda o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. O documento menciona reportagens que apontam negociações para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia política de Jair Bolsonaro. A peça afirma que a comissão deverá investigar “a origem, o caminho, o destino e os beneficiários finais desses recursos”.

O senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

O texto também menciona um pagamento de US$ 2 milhões para uma empresa ligada ao advogado de Eduardo Bolsonaro, realizado em fevereiro de 2025, período em que o deputado federal se deslocou aos Estados Unidos para atuar politicamente em temas ligados a sanções e tarifas. A produtora do filme nega ter recebido recursos provenientes de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao banqueiro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Lindbergh desafiou o sendaor a apoiar a criação da comissão parlamentar. “Acabamos de protocolar um novo pedido de CPMI sobre o Banco Master, e eu faço um desafio: Flávio Bolsonaro, assine. Você não disse que quer CPI? Assine”, declarou.

O deputado também afirmou que protocolou no STF um pedido para obrigar o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a instalar a CPMI. Lindbergh acusa Alcolumbre de retardar o avanço da comissão após negociações políticas envolvendo a votação do veto presidencial da Lei da Dosimetria.

A nova ofensiva ocorre após a divulgação de áudios publicados pelo Intercept Brasil em que ele cobra Vorcaro pelo pagamento de parcelas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”. O caso passou a integrar as investigações políticas e financeiras envolvendo o Banco Master e seus dirigentes.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.