Lista na cama de bicheiro leva PF a investigar políticos no Rio

Atualizado em 2 de julho de 2026 às 19:37
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da Polícia Federal
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da Polícia Federal. Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (2) a 5ª fase da Operação Unha e Carne e investiga se o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, pagava “mesada” a políticos no Rio de Janeiro. A suspeita ganhou força após agentes encontrarem listas com nomes de agentes públicos em endereços ligados ao contraventor.

As investigações começaram em 2021 e miram Adilsinho, apontado pela PF como “capo da Máfia do Cigarro” no Rio. Ele está preso desde fevereiro e recebeu um novo mandado de prisão na operação desta quinta.

A PF já havia tentado alcançar o contraventor em ao menos duas ofensivas anteriores. Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022, quando agentes encontraram listas de políticos dentro de uma mala de couro na cabeceira da cama de Adilsinho.

A TV Globo apurou que os documentos têm pelo menos 25 nomes. Até a última atualização, a PF não havia identificado publicamente os citados, mas trata os agentes políticos como investigados por suspeita de receber pagamentos periódicos do bicheiro. O jornalista Octavio Guedes apurou que Cláudio Castro (PL) aparece em uma das listas.

A Polícia Federal afirmou que as planilhas indicam “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”. Em outra manifestação, a corporação disse: “As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”.

Bacellar
O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Foto: Alex Ramos/Alerj

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu mandados de prisão contra Rodrigo Bacellar, que já estava encarcerado, e contra o pastor Márcio Poncio. Poncio, empresário do ramo do tabaco, foi preso em casa, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, e é investigado por possíveis ligações com a Máfia do Cigarro.

Bacellar foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, e deve sair de Bangu 8 para um presídio federal. Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até o limite de R$ 22 milhões.

A operação se insere nas medidas relacionadas à decisão do STF na ADPF 635, a ADPF das Favelas, que determinou à PF investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos no Rio e suas conexões com agentes públicos. Em 2024, a Máfia do Cigarro controlava ao menos 45 dos 92 municípios fluminenses, onde apenas maços produzidos pela quadrilha podiam ser vendidos.

A defesa de Adilsinho afirmou que “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos” e disse confiar no Poder Judiciário e no devido processo legal. O advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, declarou: “O que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva”.

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