Livro de Virginia Giuffre, a “Garota de ninguém”, expõe abusos e esquema sexual ligado a Epstein

Atualizado em 14 de março de 2026 às 15:26
Virginia Giuffre (centro) apresentou foto como prova de que havia conhecido o príncipe Andrew (esq.) por meio de Ghislaine Maxwell (dir.) e Epstein
Imagem: Reprodução

O livro “Garota de Ninguém”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, traz o relato de Virginia Roberts Giuffre sobre o período em que afirma ter sido explorada sexualmente por Jeffrey Epstein. A obra foi publicada após a morte da autora, que se suicidou em 2025, aos 41 anos, na Austrália. No texto, ela descreve episódios ocorridos quando ainda era adolescente e trabalhava em um resort frequentado por empresários e políticos nos Estados Unidos.

Segundo o livro, Virginia tinha 16 anos quando conheceu Ghislaine Maxwell no resort Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump. Maxwell teria oferecido trabalho como massoterapeuta e a levou para a casa de Epstein, onde ocorreu o primeiro encontro com o financista. A partir daí, ela afirma que passou a ser submetida a abusos e incluída em um esquema de exploração sexual organizado.

A autora relata que foi forçada a manter relações com Epstein logo após ser apresentada a ele e que, depois disso, passou a ser enviada para encontros com homens indicados pelo financista. De acordo com o livro, os deslocamentos eram combinados por Epstein e Maxwell, e ela não tinha autonomia para recusar viagens ou compromissos.

Em um dos trechos, Virginia afirma que Epstein tentava justificar seus atos com argumentos que chamava de científicos. Segundo ela, o financista dizia que manter relações com garotas que já haviam iniciado a puberdade não seria errado e citava diferenças nas leis sobre idade de consentimento para sustentar esse argumento.

Capa do livro “Garota de Ninguém”, de Virginia Roberts Giuffre, recém-lançado no Brasil pela Objetiva
Imagem: Reprodução

O relato também afirma que ela foi levada para propriedades privadas e viagens internacionais para atender empresários, políticos e outras figuras influentes. Virginia diz que, em muitos casos, só descobriu a identidade dessas pessoas anos depois, ao ver fotos ou reportagens sobre os envolvidos no círculo de Epstein.

Entre os nomes citados no livro está o do então príncipe Andrew, do Reino Unido, além do agente francês Jean-Luc Brunel, ligado ao recrutamento de modelos. O caso levou a investigações que resultaram na prisão de Epstein e de Ghislaine Maxwell. Epstein morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento, e Maxwell foi condenada nos Estados Unidos.

A obra também descreve a relação de Epstein com cientistas, acadêmicos e universidades. Virginia afirma que ele financiava pesquisas e organizava encontros com pesquisadores conhecidos, e que em algumas ocasiões ela foi obrigada a atender sexualmente convidados ligados a esses grupos.

No final do livro, a autora diz que havia câmeras instaladas nas propriedades de Epstein e que encontros eram gravados. Segundo o relato, existia uma sala onde as imagens eram monitoradas e arquivadas. Virginia afirma que acreditava que o material poderia ser usado para pressionar visitantes ou obter favores, hipótese mencionada como parte do funcionamento do esquema descrito ao longo da obra.