Livro diz que Bolsonaro quase demitiu Moro, quando não apoiou proteção de Toffoli para Flávio. Por Renato Janine Ribeiro

“Tormenta”, o livro de Thais Oyama sobre Bolsonaro. Foto: Divulgação

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

POR RENATO JANINE RIBEIRO, ex-ministro e filósofo

Terminei de ler “Tormenta”, o livro de Thais Oyama sobre Bolsonaro. Tem revelações importantes, quase todas elas já resumidas pela Folha. Só acho que a escolha de seguir uma ordem mais ou menos cronológica fez perder o impacto. Poderia ter separado em capítulos (que é o que o leitor fará mentalmente):

– Toffoli. Por que se tornou aliado preferencial de Bolsonaro? É verdade que torpedeou um golpe de Mourão, que fecharia o Congresso e o STF e tiraria Bolsonaro?
– Mourão. Pensou mesmo nesse golpe ou é conversa de Toffoli?
– Carlos, o filho. Tem mesmo transtornos de humor? Se sim, medica-se? Passou anos, no passado, e semanas, em 2019, sem falar com o pai. O pai se preocupa com ele, diz a autora. Por quê?
– Moro. A autora revela que Bolsonaro quase o demitiu, quando o ex-juiz não apoiou a proteção dada por Toffoli ao filho Flavio. Como ficaram Moro e turma? Dallagnol como se articula com o ministro?
– VazaJato. Podia ser mais comentada, bem como o silêncio da Globo e Estadão sobre ela.
– Guedes. Como uma pessoa assim controversa vira fiador da economia? Podia aprofundar o stress entre ele e a equipe dos grandes economistas tucanos.
– Paranoia. Bolsonaro tem muito medo de ser morto. Nem frequenta o jardim do Alvorada. É uma revelação importante. E também exige devoção canina, sinal de insegurança. Seria esplêndido um capítulo sobre esse tema, inclusive consultando psicólogos, talvez.

O livro vale a pena, mas uma divisão em capítulos temáticos teria dado mais impacto do que a narrativa cronológica.

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