Luciana Gimenez e Bolsonaro definitivamente se merecem. Por Nathalí Macedo

Bolsonaro em participação no Superpop, programa de Luciana Gimenez na RedeTV

As definições de vergonha alheia foram atualizadas com sucesso por Luciana Gimenez.

Na última edição de seu programa de entrevistas na  RedeTV, o Luciana by Nigth, ela entrevistou Jair Bolsonaro, e o resultado é de enrubescer qualquer brasileiro.

Embora o mundo inteiro tenha conhecimento do caos generalizado em que se transformou o governo Bolsonaro, a apresentadora – uma guerreira, não podemos negar – fez malabarismos inacreditáveis para tentar fazer parecer que o entrevistado era um político competente (um grande desafio, reconheçamos).

Evitou os assuntos mais polêmicos e espinhosos dos últimos 100 dias de governo – e de toda a vida pública de Bolsonaro, uma metralhadora de gafes e polêmicas – e focou em tudo que ninguém se importa: os esportes que ele pratica, sua vida familiar e a vida íntima com Michelle.

A rasgação de seda é tão forçada que, por vezes, o próprio entrevistado parece constrangido.

“Eu sou fã da Michelle”, dispara Luciana diversas vezes durante a entrevista, ao que Bolsonaro responde com um sorriso amarelo.

Não que Lu Gimenez tenha lá um passado de glórias, mas forçar intimidade em rede nacional com o homem que foi eleito o político mais abominável do mundo é definitivamente o fundo do poço.

A entrevista serve basicamente para que a apresentadora teça elogios forçados ao entrevistado – péssima utilidade para se dar a uma entrevista – e relativize o completo fiasco. Até para um bolsominion deve ser difícil engolir tamanha enganação.

Ao comentar que “as pessoas só falam das coisas ruins do governo”, ela questiona o entrevistado sobre as coisas positivas de seus primeiros meses de mandato. “A escolha dos ministros”, ele responde.

Risos.

Se a escolha dos ministros é a melhor coisa desse governo, não tentemos imaginar qual seria a pior.

Os ministérios do governo Bolsonaro mais parecem antros de subcelebridades e gente com o passado obscuro – aliás, faltou Lu Gimenez pra completar o time.

Ao mencionar a filha de Bolsonaro, ela parece não lembrar que, pra ele, a menina é só uma “fraquejada”. Ignora essa parte e só pergunta como é pra ele ter uma filha menina em casa.

“É bem diferente, não dá pra soltar palavrões.” E ambos riem em uma “diversão” tão forçada que chega a enojar.

Falando sobre o exército, ela também ignora o fato de ele ter sido expulso pelos militares por má-conduta, e conduz a conversa como se estivesse entrevistando um militar exemplar. Ele aproveita: “até hoje vivo para o exército.” Ué?

Pra fechar a conta, ambos concordaram que “o racismo é uma coisa rara no Brasil.” Aham. Senta lá, Cláudia.

Um músico preto fuzilado pelo exército brasileiro na frente de sua família em um país que não é racista. Quem ouve essa afirmação e não se sente minimamente revoltado não vive no mesmo Brasil que eu.

Na verdade, a conversa entre a apresentadora e o militar reformado sequer deveria ser denominada entrevista: no fim, é apenas um blablablá de faz de conta que serve para que uma apresentadora socialite lamba as botas de um político com uma vida pública de sucessivos fracassos.

Quem, afinal, leva a sério a opinião de Luciana Gimenez? Uma besta completa e acrítica, que sempre viveu em seu mundo de milionários e affairs com celebridades e agora surfa na onda do Bolsonarismo.

Detestados pelo resto do mundo, resta à cada vez mais limitada cúpula de ultraconservadores brasileiros legitimarem a si mesmos.

Luciana Gimenez e Jair Bolsonaro definitivamente se merecem.