Luciano Hang demitiu mais de 2 mil pessoas na Semana Santa, diz sindicato. Por Renan Antunes

Luciano Hang e Bolsonaro

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O empresário Luciano Hang demitiu quase 2 200 pessoas na Semana Santa sem fazer alarde – ele aprendeu com as mancadas dos amigos milionários Roberto Justus e Junior “Madero” Durski a não criar marolas.

Os números foram divulgados num grupo de WhatsApp dos trabalhadores demitidos e confirmados pelo Sindicato dos Comerciários.

Segundo o Véio, a Havan vai bem. Ele lidera ações do empresariado local contra as medidas de isolamento propostas pelo Ministério da Saúde – quer o comércio funcionando, em apoio às teses do presidente Bolsonaro.

Hang disse dias atrás que teria dinheiro para indenizar os 22 mil empregados, fechar a Havan e ir viver na praia.

Embora em seu discurso público ele tenha horror às intervenções de qualquer governo nos negócios, desta vez ele quer se beneficiar do Plano Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda em que o governo pagaria até 70% dos salários dos empregados, com garantia de emprego por 60 dias.

Ele começou o trabalho com os terceirizados.

Caminhões da Havan parados no pátio

Exemplo, 180 motoristas de uma frota de 480 caminhões foram chamados para estacionar os veículos num pátio e então dirigir-se ao RH para o desligamento.

Há mais caminhões, mas muitos são financiados e têm motoristas fixos, trabalhando por carga contratada, que não foram atingidos pelos cortes.

O Véio escolheu os que seriam demitidos entre os terceirizados porque eles não podem ser incluídos no plano do Governo Federal para quem segura empregados na pandemia.

Primeiro, encostou quase 1,5 mil empregados administrativos por 60 dias, para se enquadrar na lei.

Segundo, sem alarde, demitiu 1 em cada 3 dos setores de vendas da megaloja de Brusque e das lojas de Floripa e Blumenau, o pessoal só vai saber a situação real quando o comércio voltar a funcionar.

Os empregados se organizaram, trocando mensagens pelo WhatsApp para detectar o alcance das demissões.

O Sindicato dos Comerciários calcula que em toda Brusque, sede da Havan, já ocorreram 4 mil demissões desde o início da pandemia, sendo metade disso na empresa de Hang.

No processo de demissão ou de afastamento temporário, Luciano ordenou o recolhimento dos celulares corporativos dos funcionários.

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