Luciano Huck precisa de um amigo

Ele
Ele

 

Estou preocupado com Luciano Huck.

Alguém tem que estar, afinal. Porque parece que o empresário e apresentador está sem amigos. Ele já ajudou muita gente. Passou da hora de sair do comodismo de nossos sofás e fazer alguma coisa por Luciano Huck.

Só a alguém a quem falta aquele proverbial amigo que puxa pelo braço e diz “não é por aí, cara” podem acontecer tantas coisas estranhas em tão pouco tempo.

Vamos puxar o extrato de doze meses. Em abril de 2014, ganhou a antipatia do movimento negro ao ajudar a lançar a infame campanha “somos todos macacos”, com direito a foto comendo banana ao lado da mulher, Angélica.  Em junho, achou uma boa convocar, para seu programa de TV, mulheres que gostariam de namorar estrangeiros durante a Copa; se Luciano tinha um amigo na reunião de pauta em que isto foi decidido, este amigo deve ter se esquecido de citar que somos um dos países que mais sofre com o turismo sexual no mundo e que, hum, hã, a ideia poderia não pegar muito bem.

Eu não queria cansar o leitor, mas tem mais e tive que abrir outro parágrafo. No mês de julho, falou ao vivo na Globo que o 7 x 1 contra a Alemanha era o nosso 11 de setembro, comentário que seria capaz de fazer Galvão Bueno ficar sem palavras, o que acabou acontecendo porque Galvão estava ao seu lado. Em novembro, disse à ex-atleta tetraplégica Laís de Souza que uma vantagem de sua condição era não sentir dor ao fazer tatuagem; dor sentiu Laís, que não achou graça e disse que não, que não via vantagem.

E chegamos a março de 2015, mês que conheceu a camiseta infantil com convite à pedofilia. A estampa “Vem ni mim que eu tou facim” foi aplicada a uma peça usada por uma criança, gerou inevitável polêmica e Luciano veio a público humilhadíssimo pedir desculpas.  Disse que ninguém sabia; jamais sua marca de camisetas teria esta intenção.

(O problema, apontado pelo Buzzfeed, é que a marca sabia, sim, que as tais estampas estavam sendo aplicadas à coleção infantil; havia um post de janeiro oferecendo as peças, post este que saiu do ar depois que a casa caiu. Os recatados mea culpa de Luciano e de sua equipe são, portanto, bem, como dizer… Não são muito verdadeiros).

Este é um homem que precisa de um amigo. Se não um amigo, até um bom gerente de banco poderia avisar que isto tudo está fazendo mal para os negócios. Como eu disse: Luciano já ajudou muita gente. Agora, precisa de nós. Não pode contar apenas com os figurantes brancos e louros que o assistem comendo salsicha e mortadela no comercial da Perdigão.

Queria ser amigo de Luciano para lhe dizer: você não sabe falar de improviso. Aceite. Não tente nem mesmo escrever artigos de improviso, como quando você protestou na Folha pelo direito de sair de um restaurante caro em São Paulo usando um relógio Rolex de 50 mil reais.

Isso porque alguns cretinos têm a pachorra de dizer que andar com um apartamento popular no pulso é ostentação num país em que milhões ainda vivem na miséria. Queria ser amigo de Luciano para poder lhe dar outro toque: evite falar com jornalistas. Vão acabar distorcendo suas palavras, como quando você disse a Mylton Severiano sobre a clientela de seu bar nos Jardins nos anos 90: “Uma coisa eu digo: aqui baiano não entra”.

Um bom amigo teria puxado-o para fora da foto em que aparece, perplexo, no apartamento da irmã de Aécio Neves naquele fatídico 26 de outubro. Até porque, ao contrário de celebridades como o jogador Neymar, Luciano não mexe com política e não gravou vídeo nenhum apoiando o candidato tucano.

Estou preocupado com Luciano Huck. Todos deveríamos estar.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!