
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve começar a definir a composição de seu quarto mandato após 16 de novembro, quando retornar de viagens à Turquia e às Filipinas. Enquanto isso, aliados discutem nomes para ministérios e cargos estratégicos do próximo governo.
Lula participará da COP31, em Antália, na Turquia, e da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático, em Cebu, nas Filipinas. A formação da equipe deve envolver integrantes da campanha, partidos aliados e políticos que não conquistaram mandato nas eleições.
A criação do Ministério da Segurança Pública figura entre as principais mudanças estudadas para a Esplanada. A nova pasta é uma promessa de campanha e depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), aparece entre os cotados para comandar a área. Pessoas próximas ao presidente afirmam que Lula ainda não sondou nomes, mas avalia perfis para dar maior peso institucional ao combate ao crime organizado.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a ser citado para o Ministério da Fazenda. Matemático com mestrado em Economia Matemática, ele comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022 antes de se eleger governador e se aproximou de Lula durante o segundo turno.

Fonteles venceu a reeleição no Piauí no primeiro turno, com 70,9% dos votos válidos. Sua gestão ampliou investimentos e a arrecadação estadual, embora o estado tenha registrado resultados primários negativos nos últimos anos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços no atual governo, também é mencionado para a Fazenda. Outro nome cotado para funções centrais é o senador Camilo Santana (PT-CE), lembrado tanto para a Segurança Pública quanto para a Casa Civil.
O deputado André Janones (Rede-MG) ganhou espaço após mobilizar cerca de 10 milhões de usuários no canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”. Ele disse que seguirá a orientação do presidente, no governo ou na Câmara, e afirmou não ter recebido convite para comandar a Secretaria de Comunicação Social.
O ex-ministro Fernando Haddad também integra as conversas, com a possibilidade de assumir o Ministério das Relações Exteriores. Aliados dizem que ele não pretende retornar à Fazenda ou à Educação e que considera retomar as aulas na Universidade de São Paulo.
Na Defesa, José Múcio Monteiro manifestou a decisão de deixar o ministério, que ocupa desde janeiro de 2023. Lula também deve promover mudanças nos comandos das Forças Armadas, e o general Tomás Paiva é citado para uma eventual transferência ao Gabinete de Segurança Institucional.
Ministros como Esther Dweck, Leonardo Barchini e Fernanda Machiaveli podem permanecer no governo, ainda que em outras funções. Lula também avalia espaços para a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) e para o deputado José Guimarães (PT-CE), que não disputou eleição a pedido do presidente.