Lula, a internet e sua não-candidatura a presidente

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A entrevista de Lula com os blogueiros teve enorme repercussão. Um bom resumo está na página de seu instituto. O DCM foi um dos sites presentes.

Lula, você deve saber, falou de sua não-candidatura em 2014, da Petrobras, de André Vargas (“Espero que ele consiga provar que não fez nada além de uma viagem, caso contrário quem paga o pato é o PT”), da Copa do Mundo, do mensalão, da reforma política (“Sou favorável a uma constituinte. É preciso dar seriedade aos partidos. A reforma política é a principal que nós precisamos fazer”).

Reforçou sua visão positiva das manifestações. “O povo quer mais”, disse. “A democracia não é um pacto de silêncio”. A Lei Antiterrorismo mereceu críticas duras. “No país do carnaval, fazer uma lei contra alguém que usa máscaras é impensável”.

Negou que tenha se arrependido de indicar Joaquim Barbosa para o STF: “Quando eu indiquei o Barbosa, não tinha o mensalão. Não indiquei o Barbosa para julgar o mensalão. Indiquei o Barbosa porque eu queria que a gente tivesse um advogado negro na Suprema Corte Federal brasileira, e de todos os currículos que eu recebi, o do Barbosa era o melhor”.

Não deixou uma pergunta sem resposta — mas dois temas, ali, se destacaram.

Um, a aposta de Lula na internet e na possibilidade que ela oferece de amplificar vozes alternativas. “Os meios de comunicação no Brasil pioraram do ponto de vista da neutralidade”, disse. Eles “têm que ser pelo menos verdadeiros. Contra ou a favor, que a verdade prevaleça”. Lula tem plena consciência do poder da internet e da necessidade que tem dela para trabalhar.

Dois: ele frisou de imediato, assim que desceu ao salão em sua camisa azul claro, calça cáqui, a voz um pouco mais rouca e os cabelos mais ralos, sentado à cabeceira de uma mesa formada em retângulo, que Dilma é a candidata, não ele, não existe “volta, Lula” — mas ele está na campanha com todas as forças. O “Volta, Lula” é, no momento, mais dor de cabeça do que solução para o PT.

“Minha candidata é a Dilma Rousseff”, declarou, peremptório. Referiu-se ao aprendizado como ex-presidente e como tenta evitar virar “palpiteiro”. “A tendência natural é o criador e a criatura digladiarem durante alguns meses. Eu estou começando um novo momento. Eu acho que a Dilma tem competência, todas as condições políticas, técnicas e é disparadamente a melhor pessoa para ganhar essas eleições”.

Contou suas anedotas (rememorou uma história dos tempos de oposição, quando denunciava o fato do Brasil ter 25 milhões de crianças abandonadas e Jaime Lerner o alertou de que aquele número era simplesmente impossível). Lembrou do acidente com o dedo e da morte da primeira mulher, Maria de Lourdes, no parto. Citou conselhos de Bush, fez uma menção carinhosa a Mujica, fez o elogio de sua gestão.

Deixou para o final, irônico, o bordão “nunca antes na história desse país” numa questão de um internauta sobre o Complexo do Alemão. Foram mais de três horas de entrevista e alguns socos na mesa. Provavelmente, ele encararia outras três (alguém fez uma piada com os discursos de Fidel na saída).

Numa autocrítica do PT e de seus onze anos no governo, salientou a necessidade de mais plenárias, de “um novo padrão de relacionamento”, mas reiterou a força do partido no país, em comparação a outras legendas. O projeto “personalista” de Lula é reeleger Dilma. Desestabilizá-la é sinal de fraqueza para seu, como ele se definiu, criador. O homem do “Volta, Lula” é o cabo eleitoral, pelo menos nesse momento. E esse estará falando mais, agindo mais e animando o debate político.

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