Lula assiste a “Honestino” ao lado de familiares de vítimas da ditadura

Atualizado em 13 de agosto de 2026 às 23:29
Lula Honestino
O presidente Lula recebeu familares de vítimas da Ditadura Militar no Palácio da Alvorada, em evento de exibição do filme “Honestino”. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada familiares de mortos e desaparecidos políticos da ditadura militar durante uma sessão do filme “Honestino”, sobre a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães.

Segundo familiares presentes, foi a primeira vez, nos três mandatos de Lula, que uma comitiva do grupo foi recebida na residência oficial da Presidência.

A exibição ocorreu na noite de segunda-feira (10) e reuniu Diva Santana, irmã de Dinaelza Coqueiro, morta na Guerrilha do Araguaia, Vera Paiva, filha de Rubens Paiva, e a procuradora da República Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Também participaram Juliana Botelho Guimarães Lopes e Lucas Botelho Guimarães Lopes, filha e neto de Honestino.

Durante o encontro, Eugênia mostrou a Lula a certidão de óbito retificada de Honestino. O documento registra que sua morte foi não natural e violenta, causada pelo Estado no contexto da perseguição sistemática a dissidentes políticos durante a ditadura iniciada em 1964.

Honestino Guimarães foi um dos principais líderes estudantis da Universidade de Brasília e desapareceu em 1973, aos 26 anos, após ser preso pela repressão. Seu corpo nunca foi localizado. O filme dirigido por Aurélio Michiles reconstitui sua história a partir de documentos, arquivos e depoimentos de familiares e amigos.

O encontro não teve caráter de audiência oficial, reivindicação feita há anos por parentes de mortos e desaparecidos políticos. Ainda assim, os participantes afirmaram que a presença no Alvorada teve peso simbólico, especialmente após a recriação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, extinta durante o governo de Jair Bolsonaro.

A presidente da comissão convidou Lula para a próxima cerimônia de entrega de certidões de óbito retificadas, prevista para o fim do ano. A iniciativa faz parte do trabalho de reconhecimento estatal das mortes e dos desaparecimentos provocados pela ditadura e de reparação às famílias.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!