A reação do governo Lula à fala de Ortega sobre o fim das eleições na Nicarágua

Atualizado em 23 de julho de 2026 às 16:53
Daniel Ortega e Rosario Murillo
Daniel Ortega e Rosario Murillo em 5 de setembro de 2018. Foto: Reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que vê com “preocupação” o anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que não haverá eleições no país. O comunicado do Ministério das Relações Exteriores também pediu que as autoridades nicaraguenses garantam eleições livres.

O Itamaraty declarou que “a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso”. A nota marca uma cobrança pública do governo brasileiro diante da fala do dirigente nicaraguense.

Ortega fez a declaração no domingo (19), durante um comício ligado à Revolução Sandinista. “Não pensem que porque não há guerra, estamos em paz. Eles continuam conspirando, conspirando, acabou a história de que partidos colocados pelos ianques, colocados pelos somozistas, voltarão ao governo. Jamais, jamais, jamais”, disse.

O presidente nicaraguense também acusou a oposição de tentar usar as eleições “para tomar o poder”. As próximas eleições presidenciais estavam previstas para 2027, e Ortega governa a Nicarágua há quase duas décadas.

Daniel Ortega e Lula em 2010. Foto: reprodução

Reações internacionais e controle político na Nicarágua

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e líderes internacionais criticaram as declarações de Ortega após o comício. A fala ampliou a pressão externa sobre o governo nicaraguense em torno da realização de eleições e da participação da oposição.

Ex-guerrilheiro sandinista, Ortega voltou à Presidência em 2007. Desde então, governa ao lado da primeira-dama e vice-presidente Rosario Murillo, que ocupa uma das posições mais influentes no Executivo nicaraguense.

Ortega e Murillo reescreveram a Constituição, reprimiram a oposição política e consolidaram controle sobre praticamente todos os ramos do governo. Esse histórico aparece no centro das críticas internacionais ao modelo político adotado no país.

Na parte final do comunicado, a diplomacia brasileira afirmou que “conclama as autoridades do país, por isso, a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes”.

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