
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) a atuação do Conselho de Segurança da ONU e condenou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Durante evento em São Paulo, Lula afirmou que pretende publicar um artigo em jornais dos países que integram o colegiado para cobrar uma reação dos membros permanentes do órgão, formado por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Segundo o presidente, ele conversou na semana passada com líderes desses países e pediu a convocação de uma reunião para tratar do conflito. Ao falar sobre o tema, Lula disse: “Está na hora de vocês convocarem uma reunião, meus amigos. O restante do mundo não participa, mas esses cinco senhores que são membros efetivos do Conselho de Segurança deveriam se reunir para não permitir guerra, para evitar que o Trump invadisse a Venezuela, para evitar que invadisse o Irã”.
No mesmo discurso, Lula afirmou que o Conselho de Segurança da ONU precisa assumir responsabilidade diante da escalada militar. “Eu estou escrevendo um artigo para ser publicado nos jornais de cada país que integra o Conselho de Segurança para chamar a atenção. Assumam a responsabilidade de parar com essa guerra”, declarou o presidente na 17ª Caravana Federativa, agenda voltada a prefeitos e vice-prefeitos para apresentação de ações do governo federal.
Lula também voltou a criticar Donald Trump e disse que não concorda com o regime iraniano, mas defendeu o respeito à autodeterminação dos povos e à integridade territorial dos países. “Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã, eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial dos países, a gente não pode ter alguém achando que é dono de mundo”, afirmou.
MUNDO | "Nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã. Eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa respeitar a autodeterminação dos povos. A gente não pode ter alguém achando que é dono do mundo, levante de manhã: 'Vou tomar Cuba, Venezuela'. Não é possível", @LulaOficial pic.twitter.com/gDYpHSFE3h
— CanalGov (@canalgov) March 19, 2026
Ao tratar dos efeitos econômicos do conflito, o presidente disse que a guerra já pressiona o preço internacional do petróleo e afeta o Brasil. Lula anunciou que o governo federal vai intensificar a fiscalização, por meio da Receita Federal, sobre aumentos considerados abusivos nos preços da gasolina, do diesel e do etanol nos postos de combustíveis. Ele também voltou a defender que os governadores reduzam o ICMS sobre os combustíveis.
A proposta, porém, já foi rejeitada pelos estados. Em manifestação divulgada nesta semana, o Comsefaz afirmou que a redução de tributos não garante alívio ao consumidor e pode causar perdas bilionárias de arrecadação em áreas como saúde, educação e segurança. Lula citou a isenção de PIS e Cofins e outras medidas federais para conter reajustes, mas disse que os preços continuam subindo.
“Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o da gasolina que não tinha para que aumentar ainda, significa que nesse país tem bandido que quer lucrar até com a desgraça dos outros”, declarou. A composição do Conselho de Segurança da ONU e a posição dos estados sobre o impacto fiscal de cortes de impostos constam em registros públicos e documentos oficiais.