
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cobranças públicas ao Partido dos Trabalhadores neste sábado (7), durante a celebração dos 46 anos da legenda, em Salvador. Em discurso, Lula criticou disputas internas e defendeu a formação de alianças amplas para as eleições de outubro, afirmando que o partido “não está com essa bola toda” em todos os estados.
O presidente disse que acordos políticos são instrumentos táticos para garantir governabilidade e afirmou que o PT precisa agir de forma pragmática. Segundo Lula, o partido está mais experiente e preparado, mas não pode prescindir de alianças para vencer as eleições e sustentar um projeto de governo no país.
Lula também convocou a militância a atuar de forma permanente, especialmente nas redes sociais, e classificou a disputa eleitoral como “uma guerra”. O presidente afirmou que não haverá espaço para uma postura moderada na campanha e disse estar à disposição do partido tanto como liderança quanto na linha de frente da mobilização eleitoral.
Durante o discurso, Lula criticou o volume de recursos financeiros envolvidos nas campanhas eleitorais e relembrou períodos em que o PT financiava atos políticos com a venda de camisetas. O presidente também cobrou uma autocrítica do partido por apoiar as emendas impositivas, classificando o montante como um “sequestro” de verbas do Executivo para uso livre por parlamentares.
Lula afirmou que o PT precisa se fortalecer institucionalmente e manter presença constante na sociedade, incluindo a periferia e o eleitorado evangélico. Segundo ele, o partido não pode se confundir com lideranças individuais e precisa preservar sua estrutura e identidade política para seguir atuando no cenário nacional.
O evento marcou o início da mobilização eleitoral do PT e reuniu dirigentes que defenderam o fortalecimento das bancadas no Congresso e a retomada de bandeiras históricas, como o debate sobre a escala 6×1. A escolha da Bahia buscou reforçar o peso eleitoral do estado, que deu ampla vantagem a Lula sobre Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Lula também elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin e encerrou a agenda com compromissos oficiais na capital baiana.