“Está na hora de levar o Brasil a sério”, diz Lula após derrota do partido de Trump

Atualizado em 6 de novembro de 2026 às 10:40
Lula e Donald Trump em encontro bilateral
Donald Trump e Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a interlocutores que “está na hora de Trump levar o Brasil a sério”, após a derrota de Donald Trump nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos. Lula espera que o resultado abra espaço para uma negociação efetiva sobre as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros.

O presidente ainda não se manifestou oficialmente sobre o revés eleitoral do republicano. À Folha, integrantes de sua equipe relataram que Lula avalia que a relação entre os dois países pode mudar depois da votação estadunidense.

O governo brasileiro quer que Trump oriente sua equipe a avançar em um acordo para reduzir as barreiras comerciais. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que as tarifas atingem 47,3% das exportações brasileiras destinadas aos EUA.

A expectativa no Planalto, no Itamaraty e na área econômica é que as disputas eleitorais nos dois países deixem de travar as conversas. Lula foi reeleito, um novo Congresso tomará posse em Brasília em 2027 e os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos.

Mauro Vieira e Marco Rubio. Foto: reprodução

Itamaraty prepara conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio

A diplomacia brasileira identificou um sinal de abertura na conversa que o chanceler Mauro Vieira teve com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Atlanta, no estado da Geórgia. Os dois marcaram uma reunião bilateral mais aprofundada para dezembro, na Flórida, antes da cúpula do G20.

Apesar de contatos presenciais e por telefone entre Lula e Trump nos últimos dois anos, a Casa Branca não apresentou uma proposta que o Brasil considere aceitável. O primeiro documento formal enviado pelos EUA reuniu 21 exigências, rejeitadas pelo governo brasileiro.

Entre os pontos, Washington cobrava que “dissidentes políticos” não fossem detidos, presos ou impedidos arbitrariamente de disputar o Planalto. O texto também exigia que a eleição brasileira fosse “justa e livre”, condições que a diplomacia interpretou como tentativa de interferência em decisões judiciais do país, incluindo a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Os EUA reapresentaram o documento em janeiro, com 14 exigências, mas o governo Lula manteve a rejeição. Em julho, as negociações tampouco evitaram novas sobretaxas de até 37,5% contra o Brasil, aplicadas com base em investigações da Seção 301, mecanismo que permite aos Estados Unidos punir práticas comerciais que considerem desleais ou prejudiciais a seus interesses econômicos e tecnológicos.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior