Lula come centrão pelas beiradas. Por Helena Chagas

Publicado em Os Divergentes

Lula segurando o microfone e usando máscara
Lula dando entrevista coletiva em Pernambuco. Imagem: Reprodução

Por Helena Chagas

Em sua viagem ao Nordeste, o ex-presidente Lula vem reunindo a tropa petista e reforçando os laços com aqueles que foram seus principais aliados nas eleições passadas – caso, por exemplo, do PSB, que governa Pernambuco e praticamente já entrou na coligação do ex-presidente para 2022.

Vem também se reunindo com movimentos sociais e setores importantes e visitando projetos que ajudam a trazer de volta à memória da população os anos de seu governo.

Mas a agenda paralela de Lula no Nordeste tem igual ou até maior importância política.

Com mais de 60% dos votos na região, segundo as pesquisas, o ex-presidente vem se encontrando, em momento menos visíveis, com parlamentares do centrão e de outros partidos da centro-direita.

Segundo relatos, tem sido quase um beija-mão de políticos, inclusive dos partidos mais governistas, como Dudu da Fonte (PP-PE), por exemplo.

Na Bahia, etapa final do périplo, Lula vai estar com políticos do PSD, como Otto Alencar, e do PP, como o vice governador João Leão.

Os dois partidos têm aliança com o PT e assim devem continuar em torno da candidatura de Jaques Wagner na sucessão de Rui Costa.

A sinalização mais importe de Lula em relação ao Centrão, porém, foi dada ontem no Piauí do ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Ex aliado dos governos petistas, Ciro não foi alvo de críticas ou qualquer tipo de admoestação por parte do petista, mas sim de um aceno.

Lula não só minimizou a aliança entre o PP e Jair Bolsonaro como disse acreditar num rompimento em breve entre o atual ministros da Casa Civil e o presidente.

Não se sabe se Lula realmente acredita nesse rompimento, e nem se tão breve assim,  mas o movimento político foi feito: está de braços abertos para receber seus futuros ex-aliados, sobretudo na região em que o PP é mais forte, o Nordeste.

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Viagem pelo Nordeste

O petista tem uma agenda lotada no Nordeste, seu maior reduto eleitoral.

Hoje, desembarcou no Maranhão e amanhã já vai estar no Ceará.

Lula ainda passará pelo Rio Grande do Norte no dia 24. Para completar sua agenda pela região, ele estará na Bahia em 25 de agosto.

Em Pernambuco, ex-presidente aconselhou jovem que tente ser presidente

Após dizer que estudará ciência da computação e estudos globais, e tentará ser parlamentar ao voltar, o jovem recebeu um conselho:

“Você quando voltar, não precisa ser só parlamentar, não. Você poder ser governador do seu estado, prefeito da sua cidade, senador da República. A gente pode tudo enquanto a gente quer”, disse o petista.

“Eu não passei em nenhuma universidade americana, nem em Pernambuco, e virei presidente da República. Imagine você”, prossegue.

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Lula insinua que não pretende receber faixa presidencial de Bolsonaro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o que pode acontecer na transição com Jair Bolsonaro.

E a faixa, Lula?

O ex-presidente visitou o Assentamento Che Guevara do MST, no município de Moreno, em Pernambuco, na segunda-feira (16).

Em entrevista aos jornalistas, o petista disse que tem “clareza de que pegaremos o Brasil em 2022 muito pior do que eu peguei em 2003”.

“Eu nunca imaginei que depois da constituinte de 1988, nós fôssemos voltar a viver o que estamos vivendo”, afirmou.

O ex-presidente afirmou ainda que apesar das ameaças, Jair Bolsonaro “vai perder as eleições” e irá acatar o resultado.

“E talvez o próximo presidente não queira receber a faixa dele, queira receber do povo brasileiro”, disse.

“A certeza que eu tenho da lisura das eleições são as minhas eleições”, disse ele.