
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, neste sábado (18) e fez declarações sobre o cenário internacional, com críticas à atuação de lideranças globais, à ONU e à dinâmica atual das relações entre países. O encontro reúne cerca de vinte governos e ocorre em paralelo a uma conferência internacional que busca reorganizar estratégias de forças progressistas.
Durante o discurso, Lula afirmou: “Nenhum presidente de nenhum país do mundo tem o direito de ficar impondo regras. O que me incomoda é a volta dos imperadores querendo mandar no mundo”. Ao comentar o ambiente global, disse: “Todo dia nós somos ameaçados. Individualmente, não tem saída para nenhum de nós”.
“Não podemos levantar e dormir todo dia com um presidente ameaçando o mundo nas redes sociais”, afirmou, ao abordar o impacto de declarações públicas de Donald Trump.
Ao tratar da situação de Cuba, Lula fez um apelo direto pelo fim das sanções econômicas. “Parem com esse maldito bloqueio a Cuba”, disse. Ele acrescentou que os problemas do país devem ser resolvidos pelo próprio povo, sem interferência externa.
A reunião ocorre no contexto da Mobilização Progressista Global, evento que reúne representantes de partidos, sindicatos, academia e organizações da sociedade civil de dezenas de países. A iniciativa busca adaptar estratégias políticas diante de um cenário marcado pela ascensão de forças nacionalistas e de extrema-direita em diferentes regiões.
O encontro também tem como objetivo promover maior articulação entre movimentos políticos e sociais e discutir temas como defesa da democracia, regulamentação de tecnologias, coesão social e proteção ambiental. A programação inclui painéis com representantes de diversas áreas e países.
O evento foi articulado em parceria com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e reúne lideranças políticas internacionais. Entre os participantes estão nomes como Cláudia Scheinbaum, David Lammy, Rahul Gandhi e Elly Schlein, além de representantes de diferentes governos e organizações.
A escolha de Barcelona como sede está relacionada à estratégia de reposicionar a cidade como um centro do progressismo internacional. O governo catalão, liderado por Salvador Illa, tem ampliado sua agenda externa e atua como anfitrião das atividades, que incluem reuniões bilaterais e debates sobre os desafios políticos e econômicos atuais.