
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (14) as restrições do Tribunal Superior Eleitoral ao uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 e disse que não aceitará esse tipo de ferramenta em sua campanha. A fala ocorreu durante entrega de casas do Minha Casa Minha Vida em Camaçari, na Bahia.
“Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política”, afirmou Lula. Segundo o presidente, um político precisa “olhar nos olhos do povo” e permitir que os eleitores também olhem nos dele.
Lula citou a possibilidade de uso de imagens artificiais para simular presença em vários estados ao mesmo tempo. “Se a gente quiser, pode fazer o Lula artificial, fazer comício, 27 comícios em 27 estados no mesmo horário. Eu tô lá, mas não tô”, disse.
Veja abaixo a declaração:
O presidente afirmou que a inteligência artificial tem utilidade em áreas como saúde, educação e tecnologia, mas questionou sua aplicação em campanhas eleitorais. “Na eleição, as pessoas têm que votar em uma coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira”, declarou.
O TSE aprovou em março uma resolução com regras para a propaganda eleitoral de 2026. A norma proíbe a publicação, republicação e impulsionamento de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores ao pleito.
A regra também impede empresas de inteligência artificial de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos, federações, coligações ou campanhas eleitorais. Em caso de descumprimento, a norma prevê remoção imediata do conteúdo ou até indisponibilidade do serviço.