Lula e Ciro: aproximação é 1° passo para aliança. Se haverá ou não, é cedo para especular. Por Fernando Brito

Ciro e Lula

Originalmente publicado por TIJOLAÇO

Por Fernando Brito

Aparentemente ainda não é algo sólido, do contrário realiza-la publicamente teria sido um ato político muito forte – e isso talvez aconteça, embora devam existir, num primeiro momento, os desmentidos e relativizações de praxe.

Mas a notícia do encontro entre o ex-presidente Lula e Ciro Gomes representa um sinal de amadurecimento político no campo progressista que promete ter resultados no ano e meio que nos separa da disputa eleitoral de 2022.

O relato do repórter Sérgio Roxo, em O Globo, dá ideia da discrição com que ambos trataram a reunião que mantiveram, mas também registra que Lula já fez um aceno público de que está disposto a fazer evoluírem as conversas, ao relacionar Ciro entre possíveis candidatos do campo progressista para a próxima eleição, sem deixar de assinalar, porém, que se o quadro apontar uma necessidade de que seja ele o cabeça de chapa, não terá dúvidas em assumir uma nova candidatura.

É o papel que cabe a quem tem tamanha envergadura política e que sabe que, num horizonte já não tão distante, toda a farsa da Lava Jato terá chegado ao último grau de seu desmoronamento, com a anulação das sentenças deformadas de Sergio Moro.

Quanto a Ciro, se de fato busca esta unidade, é compreensível que tenha de ser mais vagaroso, por conta do grau de agressividade de suas manifestações sobre Lula e o PT desde 2018. Também neste caso, a anulação das sentenças, algo hoje já muito claro, servirá de recuo “honroso” para destemperos verbais grosseiros de Ciro.

Isso não quer dizer amizade pessoal, que depende de mais e muito tempo para que os atritos já não sejam sentidos. Política, porém, é outra coisa: é dever para com o país e para com a população e não pode fazer com que alianças políticas dependam de apreço pessoal.

Estamos vivendo tempos de extrema gravidade, talvez a iminência do mergulho do país num quadro de naufrágio econômico e, por consequência, social.

Estamos voltando a ser o país da fome, das pessoas nas calçadas, da doença e do abandono.

É isso o que deve marcar nossas diferenças: as com regimes que nos levem a isso. Tudo o mais são erros – e de todos – no passado, que não podem algemar nossas ações.

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