Lula evita manobra de Fachin para fazê-lo inelegível. Por Fernando Brito

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia de sua prisão, em abril. (Foto: Rahel Patrasso/Xinhua)

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

Os jornais abrem grandes manchetes sobre Lula retirar “pedido de soltura no STF para impedir discussão sobre elegibilidade” ou, como diz O Globo, “Com medo de ter candidatura impugnada, Lula desiste de pedido de liberdade”.

É mais um factóide causado pelas mutretas que se armam tanto nas mãos da dupla Edson Fachin/Cármen Lúcia no STF e nas de Luís Fux, no TSE.

Há cinco dias já se demonstrou aqui que a “pressa” anunciada por Fachin no julgamento do recurso de Lula era, na verdade, uma trampa para antecipar sua inelegibilidade, nem mais nem menos.

Como a “correria” para o registro de chapas completas até às 19 horas de hoje, algo que nunca ocorreu em eleições e que não teve um ato oficial que mudasse o que sempre prevaleceu nos pleitos eleitorais.

Lula já se antecipava e não ia cair nessa.

Para usar uma metáfora futebolística, tão ao gosto do ex-presidente, é como um atacante caçado em campo perceber que o zagueiro vem de travas levantadas, naquele “carrinho” mal-intencionado e saber pular, deixando a agressão se esvair no nada…

Pior ainda, cheirava a um chantagem, de acenar uma libertação futura desde que ele desistisse de ser, como é direito seu e necessidade do Brasil, candidato a presidente.

Estava claro que Fachin ia forçar, com o apoio de Cármem Lúcia, uma decisão quanto a elegibilidade de Lula que, qualquer estudante sabe, deve ser iniciada na Justiça Eleitoral, não no Supremo, até para não abolir a capacidade de ser analisada em duplo grau de jurisdição.

Lula não está enfrentando o Ministério Público ou mesmo as sentenças de Moro e do TRF-4, está enfrentando a prepotência autoritária de um Poder Judiciário que virou partido nestas eleições.

O Partido Sem Lula, que poderia ter a mesma sigla do PSL  de Jair Bolsonaro.

A não apreciação do recurso não quer dizer que Lula terá de aceitar a prisão iilegal, apenas adia a apreciação do seu direito de responder em liberdade.

Adiamento que, como disse seu porta-voz Fernando Haddad, é coerende com a decisão de que “não trocaria a dignidade pela liberdade”.

Quem constrói o martírio de Lula não é ele, porque não é quem se martiriza que pratica a perseguição e a violência”.

Mas é fora de dúvida que não há mártir sem dignidade e estoicismo.

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