Lula fala em parceria com EUA sobre terras raras se Trump “deixar de brigar” com a China

Atualizado em 18 de maio de 2026 às 15:38
O presidente Lula durante anúncio das entregas das quatro novas linhas de luz do CNPEM Foto: Divulgação

O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (18) que o Brasil precisa ampliar rapidamente o mapeamento e a exploração de terras raras e minerais críticos. As declarações foram feitas durante cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, no interior de São Paulo.

Segundo ele, o país ainda conhece apenas parte do potencial mineral existente em seu território e deve acelerar estudos para identificar novas reservas estratégicas. O presidente destacou a importância do uso da ciência e da tecnologia para reduzir o tempo de pesquisa e exploração dessas riquezas minerais, consideradas fundamentais para setores como tecnologia, defesa, baterias e carros elétricos.

“Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos e não sei das quantas e o Brasil só tem 30% de conhecimento do que tem nesse seu território imenso. E vai ter que fazer um levantamento de 100% do Brasil. Eu estava pensando: o que o Sirius pode fazer pra gente? Porque, se a gente depender de fazer estudo cavando buraco, vai demorar muito [….]”, afirmou o presidente.

Durante o discurso, Lula também comentou o cenário internacional envolvendo Estados Unidos e China. O petista declarou esperar que o presidente dos EUA, Donald Trump, deixe os conflitos comerciais com o líder chinês Xi Jinping e avance em acordos com o Brasil voltados ao setor mineral.

“[…] A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês pra gente dar um salto e ver, se em um curto espaço de tempo, a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, disse.

O presidente ressaltou que o governo brasileiro não pretende abrir mão do controle nacional sobre os recursos minerais. Segundo Lula, o país aceita parcerias internacionais, mas com preservação da soberania brasileira sobre as terras raras e minerais críticos.

“Não temos veto, preferência por ninguém, pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Esses minerais são considerados estratégicos por grandes potências devido ao uso em semicondutores, turbinas, baterias, equipamentos militares e produtos de alta tecnologia.

Neste ano, o governo brasileiro rejeitou uma proposta apresentada pelos Estados Unidos para cooperação na exploração desses recursos por considerar que o modelo afetava princípios ligados à soberania nacional. Lula também afirmou que o governo quer evitar um modelo baseado apenas na exportação de matéria-prima, como ocorreu historicamente com commodities minerais.

A proposta do Planalto é incentivar que o processamento e a industrialização dos minerais críticos sejam realizados no próprio Brasil para ampliar o desenvolvimento tecnológico e agregar valor à produção nacional. No mesmo evento, o presidente comentou a formação de profissionais no país e criticou a influência do mercado sobre a escolha de cursos universitários.

Ao citar a medicina, Lula afirmou: “Não podemos continuar deixando que o mercado determine o curso que o jovem faz. Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”. Segundo ele, cabe ao Estado identificar áreas estratégicas e estimular investimentos em ciência, educação e formação profissional.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.