Lula fala sobre 25 anos de sofrimento e tentativas no acordo Mercosul-UE

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 17:52
O presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foto: Divulgação

O presidente Lula se reuniu nesta sexta-feira (16) no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para marcar um momento histórico nas relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

O encontro, realizado por volta das 14h, teve como ponto central a assinatura do acordo comercial entre os blocos, que deverá ser oficializada no sábado, 17, em Assunção, no Paraguai. Embora Lula não esteja presente na cerimônia de assinatura, o evento foi preparado para consolidar a imagem do Brasil como o principal negociador político desse tratado.

Logo após o início da reunião, os líderes posaram para uma foto oficial e, em seguida, fizeram declarações conjuntas. Lula iniciou sua fala destacando a longa trajetória de negociações para chegar ao acordo, definindo a demora de 25 anos como um “sofrimento e tentativa de acordo”.

O presidente ressaltou que a parceria vai além de uma simples dimensão econômica, citando os valores compartilhados entre a União Europeia e o Mercosul, como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos.

“Amanhã [sábado], em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, afirmou Lula, destacando a importância estratégica do acordo não apenas para os dois blocos, mas para o mundo.

O presidente brasileiro também enfatizou os aspectos sociais e ambientais do acordo, afirmando que o entendimento sobre comércio também incluirá compromissos mais elevados com direitos trabalhistas e a defesa do meio ambiente. Ele afirmou que mais diálogo político e cooperação entre os blocos garantirão a manutenção desses padrões elevados.

Em sua fala, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, comemorou a conclusão do acordo, classificando-o como uma conquista de “uma geração inteira”. A líder europeia agradeceu a Lula por sua liderança nas negociações e destacou o empenho do Brasil em garantir o sucesso do acordo.

“Por mais de duas décadas, inúmeros negociadores e seus líderes trabalharam nesse acordo com o Mercosul. Ele agora foi concluído e é uma conquista de uma geração inteira”, disse Ursula. “A liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas e meses, meu caro presidente, são realmente enormes”, complementou.

O encontro aconteceu um dia antes da assinatura formal do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para ocorrer em Assunção, no Paraguai. Embora Lula tenha optado por não participar da cerimônia, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Brasil no evento.

Outros líderes, como o presidente da Argentina, Javier Milei, já confirmaram presença para celebrar o tratado que dará origem à maior zona de livre comércio do mundo.

A diplomacia brasileira via a reunião no Rio como uma oportunidade estratégica para garantir uma “foto da vitória” com as maiores autoridades da União Europeia e consolidar o Brasil como o maior negociador político do acordo. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também estava previsto para participar do encontro, mas, segundo informações da TV Globo, ele não chegou a tempo.

O acordo comercial, que prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, está sendo visto como um marco importante para a economia global, especialmente pelo impacto que terá nas relações entre os países do Mercosul e os da União Europeia.

Além da dimensão econômica, o acordo reforça os laços políticos entre os dois blocos, ampliando o campo de cooperação em áreas sensíveis, como direitos humanos e meio ambiente. Com esse tratado, a União Europeia e o Mercosul irão criar uma área de livre comércio que reunirá 720 milhões de pessoas e terá um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de US$ 22 trilhões.

Essa parceria multilateral promete impulsionar o comércio internacional, beneficiando não apenas os países do Mercosul, mas também os membros da União Europeia, com acesso facilitado a mercados e produtos de grande demanda.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.