Lula garante apoio do PT a reeleição de Motta e Alcolumbre e cobra PEC da Segurança

Atualizado em 26 de outubro de 2026 às 23:04
Davi Alcolumbre Lula Hugo Motta
Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, Lula (PT), presidente da República e Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deptuados. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) comunicou aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que o PT apoiará a recondução dos dois ao comando das Casas em 1º de fevereiro de 2027. A conversa ocorreu nesta segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, um dia depois da reeleição do petista. Segundo o Estadão, o apoio ainda não foi anunciado formalmente pelo partido.

A aliança integra a tentativa de construir uma nova base com o Centrão diante do fortalecimento da oposição no Legislativo. Lula pretende atrair lideranças que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e uma ala do MDB. O PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada da Câmara na próxima legislatura.

Depois do encontro, que durou cerca de uma hora e meia, Alcolumbre afirmou que os brasileiros esperam resultados e que há muito trabalho pela frente. Motta defendeu diálogo, respeito institucional e harmonia entre os Poderes ao comentar a reunião.

Na pauta legislativa, Lula pediu a Alcolumbre empenho para aprovar a PEC da Segurança Pública, que amplia as atribuições da União no combate ao crime organizado. A proposta teve a votação adiada antes do segundo turno após o impasse sobre a inclusão da redução da maioridade penal. O presidente quer que o Senado vote o texto sem mudanças para evitar uma nova análise pela Câmara.

Lula já havia defendido a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, mas separou essa discussão da PEC durante a sabatina na Globo, em 15 de outubro. Segundo o Estadão, ele reiterou a prioridade de votar a proposta como está e prometeu criar o Ministério da Segurança assim que o Senado aprovar o texto.

No Senado, Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pretende desafiar Alcolumbre, e Tereza Cristina (PP) também almeja o posto, segundo o Estadão. Na Câmara, o PL ainda discute quem apoiar. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante, disse à Folha de S.Paulo que desistiu de concorrer à presidência da Casa após a derrota do candidato do partido.

No primeiro pronunciamento após a vitória, no domingo (25), Lula já havia defendido a negociação com o Legislativo eleito. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu”, declarou. O presidente afirmou que trabalhará com os parlamentares para aprovar as propostas do governo, apesar da ampliação da força dos adversários nas duas Casas.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!