Lula ironiza intervenção de Trump nas eleições: “Me ajudaria muito”

Atualizado em 14 de abril de 2026 às 12:59
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em entrevista exclusiva ao DCM, ao Brasil 247 e à TV Fórum nesta terça (14), o presidente Lula ironizou as declarações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu publicamente uma intervenção de Donald Trump nas eleições brasileiras de 2026.

Questionado sobre o tema, o petista respondeu com sarcasmo: “Receio eu não tenho. Eu acho que ele me ajudaria muito se ele fizesse isso”. O petista ainda lembrou de fracassos recentes de candidatos apoiados por Trump, como Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria, que perdeu as eleições no domingo (12).

Lula lembrou  que a interferência de Trump nas eleições de outros países também teve resultados negativos. “Tenho visto o Trump dando palpite na eleição de Honduras, da Costa Rica… É um absurdo, uma intromissão sem precedentes na soberania de um país”, prosseguiu.

O presidente ainda citou o papel de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que promove uma articulação golpista nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras desde o ano passado. “Aqui ele ainda não fez, mas meus adversários tem um filho lá, tem filho pedindo intervenção americana no Brasil. Acho isso um erro de comportamento, tanto deles pedindo quanto do Trump fazendo”, completou.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, em discurso na Cpac, nos Estados Unidos. Foto: Leandro Lozada/Folhapress

Durante discurso no evento de extrema-direita CPAC no Texas, nos Estados Unidos, em março, Flávio pediu “pressão diplomática” da Casa Branca contra o Brasil durante as eleições.

“Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente. Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana —essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?”, disse o senador.

Na ocasião, o parlamentar ainda disse que seu pai estaria sendo vítima de “lawfare”, uso da legislação para perseguir opositores políticos, por conta de sua condenação a 27 anos de prisão por liderar a trama golpista.

Veja a entrevista completa:

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.