Lula liga para Putin e discute crise na Venezuela após ação dos EUA

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 16:56
O presidente Lula e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Foto: Divulgação

O presidente Lula e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversaram por telefone nesta quarta-feira (14) sobre a situação da Venezuela, após a invasão dos Estados Unidos ao país sul-americano. O diálogo ocorreu em meio ao aumento da tensão internacional e teve como foco central os desdobramentos políticos e diplomáticos da crise.

Segundo o Itamaraty, a conversa durou cerca de 45 minutos e também abordou temas da relação bilateral entre Brasil e Rússia. Em nota, o governo brasileiro informou que os dois líderes “trocaram impressões sobre a situação mundial” e reafirmaram posições comuns em relação à estabilidade regional.

De acordo com o comunicado oficial do Planalto, Lula e Putin “reiteraram a importância de que a América do Sul e o Caribe sigam como zonas de paz”. A nota destaca ainda que ambos defenderam o fortalecimento das instituições multilaterais como forma de evitar a escalada de conflitos no continente.

O Kremlin, por sua vez, afirmou que os presidentes “enfatizaram as abordagens fundamentais compartilhadas pela Rússia e pelo Brasil em relação à garantia da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana”. Moscou também informou que os dois países concordaram em manter coordenação diplomática.

O presidente Lula e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Foto: Divulgação

Entre as ações citadas estão iniciativas conjuntas no âmbito da Organização das Nações Unidas e do BRICS, com o objetivo de “reduzir a tensão na América Latina e em outras regiões”, segundo a presidência russa. O diálogo ocorre após Lula intensificar contatos com líderes internacionais desde a invasão norte-americana à Venezuela.

Nos últimos dias, o presidente brasileiro conversou com a presidenta interina venezuelana, Delcy Rodríguez, além da presidente do México, Claudia Sheinbaum, do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Logo após a ofensiva dos Estados Unidos, Lula classificou a ação como uma violação grave do direito internacional.

“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, afirmou o presidente.

O governo russo também condenou a operação norte-americana, definindo-a como um “ato de agressão armada” contra a Venezuela. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, reiterou que a posição de Moscou permanece baseada “nos princípios do respeito à soberania e à integridade territorial de todos os Estados”.

No final da tarde o presidente brasileiro comentou sobre a conversa em sua página no X.

Confira a postagem de Lula:

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.