Lula na batalha contra as forças do atraso, que transformam ouro em lama. Por Joaquim de Carvalho

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Ao divulgar mais um resultado da última pesquisa nacional do seu instituto, a Folha de S. Paulo fez um texto opinativo para tentar tirar o mérito de Lula reconhecido pela população. Segundo a pesquisa, 32% da população brasileira considera que o ex-presidente é o pré-candidato a presidente mais preparado para acelerar o crescimento da economia.

O jornal lembra que Lula deixou o governo, em 2010, com alto índice de aprovação popular (87%, segundo o Iboope, um recorde) e o PIB 7,6 maior no último ano do mandato (o maior índice desde 1985.). Estes dados são incontroversos. Porém tem o “mas”. O jornal diz em seguida: “Mas o PT depois levaria o país, no governo de Dilma Rousseff, a uma de suas mais graves recessões.”

É uma forma deturpada de analisar o que aconteceu com o Brasil a partir da reeleição da ex-presidente, em 2014. Dilma foi emparedada pelas forças políticas que se movimentaram para tirá-la do poder, com o apoio da velha imprensa e de tubarões do mercado financeiro e do mundo empresarial.

Quem não se lembra da pauta bomba colocada por Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados? Cunha era o “guerreiro do povo brasileiro”, com propostas que estouravam o orçamento e inviabilizam uma necessária (e temporária) política de ajuste fiscal.

E a Lava Jato?

Paralisou a Petrobras, com a criminalização das suas atividades, como se a empresa fosse um antro de roubalheira.

A Lava Jato transformou o príncipe em sapo.

É que quatro anos antes a Petrobras, depois de atingir o maior valor de mercado da história, fez o lançamento de ações com auditoria das mais conhecidas instituições financeiras do mundo, como o JP Morgan e o Credit Suisse, que destacavam a exuberância da empresa, um paradigma de governança.

O governo Dilma cometeu erros políticos graves, ao demonstrar falta de habilidade no relacionamento com a classe política, mas responsabilizá-lo pelo desastre da economia a partir da intensificação da Lava Jato e das feridas da eleição atende ao interesse dos políticos que perderam a disputa eleitoral, e de milionários que ganharam com a crise, não ao interesse público, a análise isenta dos fatos.

O governo Dilma deve ser analisado pelo ultimo de normalidade democrática do país, 2014, quando o índice de desemprego estava abaixo de 5% (hoje está em 14%), uma situação de pleno emprego, e não havia recessão. O litro de gasolina custava R$ 2,90 e a exploração do pré-sal indicava tempos de bonança no horizonte.

Mas como tudo isso era apresentado pela velha imprensa, que apoiava abertamente Aécio Neves? O pré-sal era um desperdício de dinheiro, uma roubada, um mico, já que tirar o petróleo de águas profundas, na análise de Miriam Leitão, da Globo, era economicamente inviável. Sairia muito caro.

Hoje se sabe que o Brasil retira mais óleo do pré-sal, de excelente qualidade, do que do pós-sal. Era economicamente inviável?

Alguém já se perguntou por que o Brasil foi o país mais espionado pelos Estados Unidos a partir de 2008? Se não sabe, assista ao filme “Snowden — Herói ou Traidor?”, de Oliver Stone. Foi por causa da Petrobras. Dilma chegou a cancelar uma viagem aos Estados Unidos quando veio a público que ela tinha sido monitorada clandestinamente.

Se o Brasil tinha se transformado na draga que a análise da Folha de S. Paulo aponta, para que espionar Dilma?

O que o jornal esconde é que, com o governo desenvolvimentista de Lula e de Dilma, o Brasil despontava como uma nação do primeiro time, capaz de contrabalançar, ao sul, o poder dos Estados Unidos no continente.

Esta é a realidade, e parte expressiva da população já percebeu, e é por isso que vê em Lula o pré-candidato em melhores condições para recolocar o Brasil no trilho do crescimento.

A parte da população que ainda não tem essa percepção — provavelmente os leitores acríticos da velha imprensa — terá oportunidade de rever sua posição, e cotejar biografias e propostas, se Lula tiver a oportunidade de se apresentar oficialmente como candidato a presidente.

O Brasil só tem a ganhar com isso. Ainda que ele seja derrotado na eleição, o candidato que 32% da população vêem como ideal para governar o país não pode ficar fora da disputa.

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