
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram uma rodada de conversas com dirigentes do Centrão e da esquerda para discutir a participação dos partidos no ministério a partir do próximo ano. O governo condiciona a abertura de espaços na Esplanada a uma atuação mais fiel das siglas nas votações do Congresso.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, conduz as sondagens com o apoio dos ex-ministros Rui Costa (PT-BA) e Camilo Santana (PT-CE). A prioridade declarada nas conversas é formar uma base que dê estabilidade ao Executivo na Câmara e no Senado.
Representantes de Podemos e PSB participaram de conversas na terça-feira. O governo programou reuniões nesta quarta e quinta-feira com PP, União Brasil, PSD, Republicanos e MDB, com a intenção de ouvir os presidentes das legendas.
No União Brasil, o presidente do partido, Antonio Rueda (RJ), deve se reunir com Edinho ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O PP indicou o líder na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), por pedido do presidente da sigla, Ciro Nogueira (PP-PI). Edinho também procurou Avante e PSDB.

Governo quer base mais coesa diante do avanço do PL
As tratativas ainda não discutem qual ministério ou cargo caberia a cada partido. Edinho deve reunir as respostas das siglas, conversar com outros petistas envolvidos na articulação e levar o quadro ao presidente.
Integrantes do Planalto defendem que somente partidos dispostos a votar com o governo indiquem aliados para postos no ministério. Um dirigente partidário avaliou que a interlocução direta com presidentes de legenda retoma uma relação institucional e dá mais peso às negociações.
A necessidade de uma base mais coesa ganhou força diante da expectativa de crescimento do PL na próxima legislatura. No atual mandato, Lula enfrentou oscilações na relação com o Congresso e distribuiu ministérios a partidos do Centrão que se apresentavam como independentes.
No segundo turno eleitoral, a maioria dessas siglas apoiou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), depois de manter neutralidade na primeira rodada. A decisão provocou críticas no Palácio do Planalto e levou o governo a exonerar indicados de políticos que tinham cargos federais, incluindo aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Setores do centro demonstraram insatisfação com a postura de Flávio Bolsonaro, que deixou o país após a derrota nas urnas, e aliados de Lula veem espaço para reaproximar essas forças do governo. Ainda assim, interlocutores partidários não esperam apoio integral das bancadas, que reúnem parlamentares de oposição dentro das próprias siglas.
Lula deve tratar da montagem do governo após retornar da viagem à COP31, prevista entre os dias 11 e 16. O presidente convidou Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acompanhá-lo; a presença deles na comitiva ainda não está confirmada.
O Planalto espera que Alcolumbre e Motta permaneçam no comando do Congresso em fevereiro e contribuam para organizar a base. Alcolumbre apadrinha os ministros Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, e Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações; Motta indicou Gustavo Feliciano para o Turismo e mantém outros aliados na máquina federal.