
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (4), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, que o Brasil não deve aceitar o tratamento adotado pelos Estados Unidos nas discussões comerciais recentes e que o governo buscará alternativas para ampliar mercados e investimentos.
A declaração ocorreu após a recomendação de novas tarifas sobre produtos brasileiros apresentada por órgãos do governo estadunidense. Ao comentar a medida, Lula defendeu a diversificação das relações econômicas do país.
“Se ele [o presidente Donald Trump] não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, afirmou. A proposta dos Estados Unidos prevê tarifas de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros e cita práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” pelo governo norte-americano.
O presidente também anunciou que pretende encaminhar uma nova carta a Donald Trump para contestar os argumentos utilizados pelos Estados Unidos. “Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil”, disse. Em seguida, acrescentou: “Vou mandar outra carta para o Trump para mostrar que eles estão errados, equivocados, estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”.
Lula criticou ainda a condução das negociações entre os dois países. Segundo ele, o Brasil manteve disposição para dialogar desde os primeiros anúncios feitos por Trump. “Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem, que um presidente comunique o outro ou mande uma carta oficial para o outro”, declarou.
Outro ponto de insatisfação citado pelo presidente foi o momento escolhido para a divulgação da proposta. O anúncio ocorreu semanas após um encontro entre Lula e Trump na Casa Branca, quando foi anunciada a criação de um grupo bilateral de trabalho para discutir impasses comerciais. Segundo o governo brasileiro, apenas uma reunião foi realizada desde então.

Pela primeira vez, ele afirmou ter sido surpreendido pelo rumo das negociações. “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento com os Estados Unidos”, declarou. Além das tarifas principais, os EUA sugeriram uma cobrança adicional de 12,5% sobre mercadorias associadas a trabalho forçado, alegando falhas na legislação e na fiscalização brasileira sobre esse tipo de produto.
Durante a reunião, Lula voltou a criticar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. “Ele não gosta da América Latina e menos ainda do Brasil. É um latino-americano frustrado”, afirmou. O presidente também mencionou declarações recentes do secretário e citou o papel de representantes norte-americanos durante o golpe militar de 1964. “Importante que eles saibam que queremos construir a narrativa verdadeira”, disse.
Sem citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro, Lula voltou a usar as expressões “traidor da pátria” e “imbecil” para se referir a adversários políticos. “Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral —e não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos dele”, declarou.
O presidente também confirmou participação na cúpula do G7, marcada para ocorrer entre 15 e 17 de junho, na França, e afirmou aos ministros: “É uma arrumação de discurso pra todo mundo, ninguém tem que ter medo de nada”.