Lula prepara processo contra Meta após mensagens de funcionários; entenda

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 14:33
Luiz Inácio Lula da Silva em evento de campanha
Luiz Inácio Lula da Silva em atividade de campanha. Foto: Reprodução

A campanha do presidente Lula (PT) planeja pedir à Justiça Eleitoral uma investigação contra a Meta, dona de Instagram, Facebook e WhatsApp, após a divulgação de mensagens internas que indicam restrições às contas do petista durante a disputa eleitoral.

Integrantes da equipe jurídica de Lula pretendem apresentar a ação na segunda (19), possivelmente na forma de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral. A iniciativa ocorre uma semana antes do segundo turno, marcado para o dia 25, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A campanha já havia acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao relatar falhas “reiterada e sistemática” na entrega de postagens de Lula e de seus aliados nas plataformas da empresa. Os advogados do presidente acusam a Meta de interferir na disputa em benefício de Flávio.

Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula perdeu a possibilidade de impulsionar publicações no feed do Instagram. A equipe também relatou que a Meta AI recusava pedidos para criar imagens com a frase “Vote Lula”, enquanto atendia a solicitações semelhantes relacionadas ao senador.

Mensagens tratam conta de Lula como “limitada”

Logotipo da Meta está atrás de mãos segurando celulares. Foto: Dado Ruvic/Reuters

A Meta atribuiu inicialmente o problema no impulsionamento a uma falha técnica global. As mensagens internas, porém, apontam que uma instabilidade geral ocorreu em 7 de outubro, durou cinco horas e não coincidiu com o bloqueio registrado dois dias depois na conta de Lula, que se estendeu por quase 24 horas.

Nos diálogos revelados, funcionários classificaram a conta do presidente como “limitada” em comparação com a de Flávio Bolsonaro. A expressão apareceu nas discussões sobre as dificuldades enfrentadas pela campanha petista para distribuir conteúdo pago no Instagram.

As conversas também indicam que o WhatsApp recomendava o canal “Tropa do Flávio” a usuários que buscavam “Exército de Lula”, canal oficial de apoio ao presidente. As regras fixadas pelo TSE impedem recomendações de perfis e canais de candidatos, que só podem surgir quando o usuário procura exatamente o nome da conta.

No Instagram, o perfil de Flávio aparecia nas recomendações de busca, enquanto as contas de outros candidatos não recebiam o mesmo tratamento. Funcionários da empresa reconheceram internamente que o perfil do senador não deveria constar na recomendação e que a conta de Lula nem aparecia quando o usuário pesquisava seu nome exato.

A Meta negou, na sexta (16), qualquer tentativa de interferir no processo eleitoral ou de favorecer Flávio Bolsonaro. A empresa afirmou que os episódios tiveram “causas distintas” e declarou: “Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política”.

O TSE validou na sexta uma decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze que obriga a Meta a assegurar tratamento igualitário aos dois candidatos. A ordem proíbe a redução artificial de alcance e exige que ferramentas como a Meta AI adotem critérios idênticos para Lula e Flávio Bolsonaro.

Diario do Centro do Mundo
O Diário do Centro do Mundo (DCM) é um portal brasileiro de jornalismo digital fundado em 2013. O site publica notícias e análises sobre política, economia, cultura, mídia, comportamente -- tudo o que é relevante, no Brasil e no exterior